sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"A palavra pintada" de Tom Wolfe


O livro é bacana e numa linguagem descontraída e coloquial, Wolfe narra o percurso da Arte Moderna e como a teoria sobre determinado objeto artístico passou a importar mais do que a própria manifestação da arte.

Passagens importantes
 
“As pessoas não lêem o jornal matutino, disse Marshall McLuhan certa vez, mergulham nele como se fosse um banho morno.” (p.5) – estado de privação sensorial do público atual.

Wolfe diz que na arte ‘crer é ver, pois a Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustrar o texto.’

“Metade da força da pintura realista não advém do artista, mas dos sentimentos que o observador transporta para a tela, como uma bagagem mental.” P. 10

“A arte deve deixar de ser um espelho que reflete o homem ou a natureza. Uma pintura deve forçar o observador a vê-la pelo que é: um determinado arranjo de cores e formas numa tela. (...) Os artistas se empenharam com energia na tarefa de teorizá-la.”

Wolfe diz que os artistas sempre mantiveram relações com a elite, seja corte real ou burguesia, mas esse “retrato moderno do artista começou a se delinear: o espírito pobre, porém livre, o plebeu que aspira não pertencer a classe alguma, a se libertar para sempre das peias da burguesia ambiciosa e hipócrita, a ser o que burgueses obesos mais temiam, a ultrapassar quaisquer limites que estes estabelecessem, a olhar o mundo de uma forma que eles não conseguiam ver, andar alto, viver modestamente, manter-se sempre jovem – em suma, ser o boêmio.”  

Filmes como 'Meia noite em Paris' e 'Noel, poeta da vila' – ilustram esta vida do boêmio e dos grandes salões freqüentados por artistas.

Wolfe ironiza que a postura dos boêmios era de descaso e despreocupação com o reconhecimento de sua obra por outros artistas e por críticos especializados, mas no fundo todos queriam abocanhar uma fatia e se tornarem ‘alguém’. 

Os artistas anônimos se reunia para expor e discutir suas criações, na esperança de serem notados e apresentarem algo novo e diferente, tornando-se revolucionários, importantes e transformadores, mas sempre dependendo do julgamento de um crítico especializado. “As artes sempre foram a porta de entrada da sociedade.”

A arte moderna pertence ao período pós-guerra (1ª G.M.) e o público não tinha papel na definição do que era ou não arte. “O público não está convidado (recebe uma participação impressa depois).”

“A ideia de que o público aceita ou rejeita qualquer coisa em Arte Moderna, a idéia de que o público escarnece, despreza, não consegue compreender, deixa esmorecer, aniquila, ou comete qualquer outro crime contra a Arte ou artista isoladamente é apenas uma ficção romântica, um sentimento agridoce. (...) O público compra livros em brochuras e encadernações aos milhões, o público que compra discos aos bilhões e lota os estádios para assistir concertos, o público que gasta 100 milhões de dólares em um único filme – esse público influencia o gosto, a teoria e a perspectiva artística na literatura, na música e no teatro. (...) O mesmo nunca foi verdadeiro com relação à arte. O público cujos números gloriosos são registrados nos relatórios anuais de museus, todos aqueles estudantes e ônibus de turistas e mamães e papais intelectuais fortuitos...são apenas turistas, colecionadores de autógrafos, basbaques, espectadores de desfiles, quando se trata do jogo do Sucesso da Arte.” (p. 30)

Com isto, Wolfe afirma que o mundo da arte é uma aldeia, formada por minorias, que determinam o que é ou não arte e se apropriam de teorias para justificar suas obras e engrandecê-las, buscando sempre a novidade, a superação da superação.

“Uma curiosa mudança estava ocorrendo no próprio cerne da atividade do pintor. Inicialmente o Modernismo fora uma reação ao realismo do século XIX, uma abstração, um diagrama do realismo, para usar uma expressão de John Berger, da mesma forma que uma planta baixa é o diagrama de uma casa. Mas esse Expressionismo Abstrato...era uma reação ao próprio modernismo inicial...Era a abstração de uma abstração. (...) Em suma, a nova ordem no mundo da arte era: primeiro você encontra a palavra, depois você vê.” (p.66-67)

“Os artistas não pareciam ter a menor idéia de como a Teoria estava se tornando básica. Eu me pergunto se os teóricos teriam. Todos, artistas e teóricos, falavam como se o o seu objetivo consciente fosse criar uma arte inteiramente imediata, lúcida, despida de toda a horrível bagagem histórica, uma arte sem mistérios, honesta como o plano integral do quadro. (...)Ninguém mais estava imune á teoria. Pollock dizia coisas como: ‘Cézanne não criou teorias. Elas surgiram depois.’” (p.67)

Wolfe ironiza novamente a forma de ver a arte moderna, pois a preocupação residia na teoria, mas suas obras complexas, subjetivas e abstratas exigiam tanto do espectador, mesmo o apurado, e seu repertório necessário, que apreciá-las era um esforço. Depois de se empenhar em abstrair a abstração, desafiar o gosto burguês, mistificar as massas, os artistas e seus curadores não entendiam porque ninguém queria consumir ou comprar estas obras. “O mundo da arte fora restrito com êxito a umas 10 mil pessoas no mundo inteiro.” (p.73)

O expressionismo abstrato se desgastou e a pop art deslanchou. Com esta nova forma de ver a arte, a recusa da abstração e da teoria, valorização do realismo distorcido através de objetos banais, a Pop Arte acreditava que ser artista não era nada diferente de outras funções. Abala-se então a visão glamorosa do artista (boêmio).

A arte pop se baseava em transformar códigos e símbolos cotidianos em objetos de arte. Nem conteúdo e nem forma. Nem abstração, nem realismo e própria para o consumo. Reflexão e provocação ao papel passivo do consumidor de cultura.

Wolfe afirma então que um movimento (ismo) foi sempre a negação ou ‘comentário’ de um (ismo) movimento anterior. “Independentemente de outros predicados, toda grande arte versa sobre a arte.” (p.87)

“O boêmio, por definição, era alguém que fazia coisas que o burguês não ousava fazer. (...) Nada é mais burguês do que ter medo de parecer burguês.” (p.93)

Após a arte pop, a teoria voltou-se para o reducionismo e assim ‘a verdadeira arte é apenas aquilo que se passa em nosso cérebro.’ (p.104)

Se antes as telas eram necessárias, a abstração passou a considerar também outros materiais. Pinturas e instalações passaram a ser espaços de arte também, e telas já não eram necessárias.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Esqueça o filtro solar e Acredite no conhecimento!

Eu sempre adorei o texto-vídeo "Filtro Solar", mas encontrei outro ainda mais bacana!!!


Detalhe: eu durmo por volta das 2h (sou mais inteligente?!) e sou gordinha!!! hahahaha

Sociologia da Educação - noções básicas!

Contexto histórico do surgimento da Sociologia

Os marcos históricos iniciais foram o Renascimento, onde Deus deixou de ser o centro das coisas e o Homem tomou seu lugar, sendo responsável pelos seus atos; e o Iluminismo, onde a razão passou a ser utilizada para a explicação dos fenômenos.

E os outros dois marcos foram a Revolução Francesa, resultando numa transformação política, com o fim do feudalismo e as formas de dominação impostas (liberdade, igualdade e fraternidade) com apoio da ‘massa’, ainda que após sua conquista tenha reprimido essa mesma massa com o sistema capitalista. Resulta numa educação dual (trabalhador – pública e elite – privada); e a Revolução Industrial, resultando numa transformação econômica, com a revolução tecnológica e onde o ‘servo’ poderia vender sua força de trabalho para quem interessar. Resulta numa educação instrumental, funcional, preocupada em formar força de trabalho.

Neste sentido, a Sociologia nasceu a partir destes conflitos e tensões, procurando dar respostas aos problemas causados por todos estes conflitos e mudanças, tornando a Sociedade Moderna Ocidental o objeto privilegiado desta ciência. Alguns pensadores pioneiros se debruçaram sobre estes acontecimentos e elaboraram conceitos e teorias com base nos estudos dessa sociedade transformada.

Augusto Comte foi um dos primeiros a pensar sobre o caos da Revolução Francesa e fundou a ‘ciência da sociedade’, a atual sociologia. Influenciado por idéias positivistas, que considera a ciência como único lugar legítimo para explicar a realidade, utilizando-se dos métodos das ciências naturais para explicação de fenômenos, estudou quais seriam as ‘leis’ que operavam na realidade social para que pudessem ser melhoradas.

Elaborou 3 teorias para o progresso do conhecimento da sociedade: 1. Estado teleológico (explicações místicas para os fenômenos); 2. Estado Metafísico (explicações a partir de entidades absolutas para os fenômenos - natureza) e 3. Estado positivo (explicações racionais e científicas para os fenômenos). Este último estado seria o estado civilizado, o ideal e âpice do desenvolvimento humano, portanto para ele, as sociedades tribais para evoluírem deveriam tornar-se industrializadas e se apropriar das tecnologias.

Ícones do Século XIX – a sociologia e a educação

Émile Durkheim foi discípulo de Comte e acreditava que os indivíduos nasciam numa sociedade ‘pronta’ com relações sociais já estabelecidas. Acreditava no funcionalismo, onde a sociedade se dividia em ‘órgãos’, e cada instituição cumpria um papel e todos dependiam de todos. “Somos o que somos porque a sociedade nos fez assim!”. Para manter a sociedade em harmonia, as regras, normas, condutas e padrões deveriam ser transmitidos de geração para geração. E quando algo desarmoniza a sociedade, são causados por ‘anomias’, eventos que a sociedade ainda não tem controle, nem prevenção, como é o caso atual do terrorismo, gerando medo, insegurança e caos, ou seja, uma ‘doença social’ ou o conflito como algo nocivo. Foi o pensador que mais se preocupou em escrever e pensar sobre educação, principalmente como instituição responsável pela socialização.

Karl Marx, diferente de Durkheim, desenvolveu um pensamento sobre a sociologia para explicá-la e transformá-la socialista, dando uma esfera política para ela. “Sociedade como é e como deveria ser!” Acreditava que o sistema capitalista era explorador e contraditório, já que a busca de alguns por lucro comprometia a sobrevivência de outros. “A felicidade de um dependia da exploração do outro.” Ele achava que isso precisava ser superado e defendia uma tomada de consciência, onde a sociedade privada deveria ser abolida, assim como o trabalho assalariado, resultando numa sociedade sem classes, mas autônoma, autoconsciente, trabalhadora manual e intelectual, ou seja, todos ‘completos’ e onde ‘tudo é de todos’! Para ele, o conflito era o grande elemento de transformação e para transformá-la seria preciso conhecê-la. No contexto da educação, acreditava que poderia ser para perpetuar a dominação e alienar o proletariado, se continuamente organizada por classes dominantes (burguesia), ou para emancipar o indivíduo, se reinvindicada e transformada por classes dominadas (proletários), no intuito de esclarecer e permitir a disseminação do saber para poder participar da vida política da sociedade, ‘bagunçando’ essa visão consumista e mecânica de existir apenas como força de trabalho. Educação ideal seria aquela que forma um indivíduo que saiba e aplique seu conhecimento e saber!

Max Weber tinha uma visão pessimista e diferente de Durkheim e Marx, pois o homem havia se tornado racional demais e a busca por explicações lógicas e científicas eliminaram a crença do místico, mágico e divino, aprisionando a sociedade às ciências e às burocracias, gerando individualismos. “O sonho da razão produz monstros!” (analogia do homem moderno ao pássaro na gaiola) Para ele a sociedade ‘busca se manter como é’ e para compreendê-la seria preciso estudar o indivíduo, mas sem poder transformá-la. Neste sentido, a educação seria apenas uma forma de perpetuar este sistema, preocupada em instrumentalizar e racionalizar o homem.

Ícones do Século XX – a sociologia e a educação

Bourdieu e o poder reprodutor dos processos educacionais – sofreu influência dos pensamentos de Durkheim, mas sempre com uma visão crítica ou reflexiva. Ao considerar que a sociedade deveria educar as gerações novas a partir de suas regras, normas, condutas e padrões, estaria também ‘infiltrando’ uma estrutura social ‘vigente’, no caso do capitalismo, reproduzindo uma sociedade desigual de geração para geração. As gerações novas continuariam agindo de acordo com o sistema imposto, sem perceber, acreditando ter autonomia em suas escolhas e decisões.

Gramsci e o pensamento pedagógico socialista - influenciado pelos pensamentos de Marx, acreditava numa escola que trabalhasse a capacidade humana intelectual e manual, unindo também a capacidade crítica e criativa. Em seus escritos sugeriu uma escola ‘para todos’, igualitária, democrática, pública, aberta e única, onde em 3 fases se ensinaria a cultura geral; a criatividade, autodisciplina e autonomia; e especialização. Para ele era importante transformar o senso comum em consciência crítica, reflexiva e filósofica. E o resultado desta educação seria um homem ‘intelectual orgânico’, que é aquele que repassa seu saber para outros, socializando seu conhecimento, e também age, atua, participa, ensina, organiza e conduz a construção de uma nova cultura e visão de mundo, diferente dos intelectuais presos às teorias e distantes da prática.

Mannheim e a ‘educação sadia’ - influenciado pelo pensamento de Weber, acreditava numa educação sadia e transformadora, que desenvolvesse valores democráticos e solidários a partir do desenvolvimento intelectual e cultural. Diferente do pessimismo de Weber, ele acreditava na educação como uma forma de mudança e intervenção social. Através dela seria possível resgatar a autonomia, autoconsciência e o caráter emancipador da racionalidade. Seu foco era na juventude, que ainda permanecia com uma visão de mundo aberta e portanto, com a possibilidade de ser revolucionária.

Referência

REIS, Marilise Luiza Martins dos. Sociologia da educação: caderno didático / Marilise Luiza Martins dos Reis ; design instrucional Ana Cláudia Taú – Florianópolis : UDESC/CEAD, 2011. 

Escola sem paredes!



Em tempos onde todos se perguntam 'qual a educação do futuro'?! Começar a refletir sobre a estrutura física das escolas, já seria um bom começo! 

Inspiradas numa educação rígida  e tradicional de décadas atrás, onde o objetivo era conquistar disciplina e obediência dos alunos, as salas de aulas contavam com janelas altas, sem visão para rua, para concentrar a atenção no professor, paredes brancas e limpas, carteiras enfileiradas e disposição dos móveis de forma padronizada e limitada entre 4 paredes. Mais opressor impossível!! Estes espaços, ainda tão presentes, poderiam estar (ou já estão) com os dias contados, não?!


Se vivemos numa Era tecnológica inédita, com desapego cada vez maior da relações físicas e presenciais, compartilhando conhecimento via rede e aprendizado precoce de crianças e adolescentes, por que as escolas continuam mantendo suas estruturas físicas entre 4 paredes, ao invés de superar limites e expandir fronteiras, começando pelo contato físico e presencial?!

Se alguém ainda duvida que isso não seja possível, confira essa matéria super bacana de uma escola sem paredes e sua proposta pedagógica inovadora!!


Matéria original aqui!

por Niege Borges



A Vittra Telefonplan, em Stockholm, é uma escola sem paredes. O seu design foi feito de acordo com os princípios da Swedish Free School Organization Vittra, que não acredita em salas de aula. Ao invés de fileiras de mesas, existem grandes sofás, mesas de picnic e outros espaços coletivos. 

O local não é totalmente sem paredes, existem algumas salas fechadas (as que precisam de isolamento de som, por exemplo) e alguns móveis que funcionam como um recanto de estudos e são altos o suficiente para funcionar como paredes. A designer responsável, Rosan Bosch, acredita que espaços diferenciados permitem que as crianças aprendam do jeito delas, pois diferentes cenários de aprendizagem são criados. (via Co.Design)


 

Pausa necessária 2...

Faz bastante tempo que não posto neste blog, mas às vezes precisamos nos afastar de algumas prioridades para redescobrí-las e reinventá-las em nossas vidas!!


Estudei menos do que gostaria neste verão, mas relaxei mais do que esperava. Novas mudanças, novos horizontes, novas descobertas...

Faltam cerca de 7 meses para os 2 anos do mestrado se encerrarem e ainda falta bastante coisa pra finalizar, mas a sensação já é de tarefa cumprida, por estar conseguindo conciliar a nova vida de casada, num apê todo novo, com novas experiências e desejos pessoais, com o esforço e dedicação acadêmico e profissional!


Se engana aquele que acha que passar tardes lendo livros é tudo que é necessário para fazer um bom mestrado. Viver também é fundamental! Se afastar da sala de aula para estudar, observar a relação das mães-amigas com seus filhos em fase de desenvolvimento, ler matérias de revistas especializadas ou não, estudar a base da educação em disciplinas do curso de Pedagogia,  ver filmes, escrever sobre tudo e todos, esvaziar a mente, lutar por uma vida mais saudável, assistir televisão, afastar-se dos estudos e retornar renovada!

 

Fazer mestrado (estar fazendo) pra mim nunca foi apenas conseguir um título e nunca representou apenas um degrau na vida profissional. Fazer mestrado é o desejo de continuar estudando e circulando em espaços onde as pessoas querem discutir, melhorar, transformar, crescer... É um lugar que entramos de salto alto e saímos de rasteirinha, porque quanto mais se estuda, mais se quer estudar e mais se sabe que não se sabe nada ou se sabe muito pouco...

Fazer mestrado mudou minha vida, minha visão de mundo e de alguma forma, tudo isso se reflete em novos hábitos, novas amizades, novas ideias e reflexões sobre quem se é e quem se quer ser nesse mundo!

Pausas são necessárias....mas retornar também é bom demais! =)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica - 2012


O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT) é um fórum temático do Fórum Mundial de Educação (FME), um movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação que busca levantar propostas que integrem a plataforma mundial de educação. A primeira edição do FMEPT foi realizada em 2009, em Brasília. Para a segunda edição do Fórum, a cidade de Florianópolis – capital do estado de Santa Catarina - foi escolhida para sediar o evento que será realizado de 28 de maio a 1º de junho de 2012. O tema desta edição será Democratização, Emancipação e Sustentabilidade e algumas informações já podem ser encontradas no site. 

Minha mãe faz parte da organização do evento e me adiantou que Edgar Morin deve participar do evento! Eba!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Era uma vez uma banca de qualificação!


Depois de 1 ano e 3 meses, hoje cumpri a penúltima etapa do mestrado, antes da defesa (grande dia) ano que vem: a qualificação do projeto de dissertação. 

A banca contou com presenças de peso, Dra. Profª Aglair Bernando (Cinema e Jornalismo - UFSC), Dra. Profª Gilka Girardello (PPGE-UFSC) e Dra. Profª Adriana Fresquet (PPGE-UFRJ), via parecer por e-mail, além do querido suplente Dr. Profº Leandro Belinasso (PPGE-UFSC).

Até ontem eu sentia expectativa, ansiedade e curiosidade. O que será que a banca iria achar e avaliar?! Será que eu teria rendido e produzido o suficiente?! Será que não estava 'viajando na maionese'?!

E hoje senti alívio, mais confiança e mais segurança no meu trabalho, ou melhor, 'nosso' trabalho. Tem bastante coisa pra fazer pela frente, mas o que fiz até aqui valeu a pena!! E não, não estou 'viajando na maionese'!! =)

Recebi elogios, mas também ricas sugestões, ressalvas, dicas e questões para pensar e aprofundar. E eu não poderia deixar de dividir o 'mérito' (se é que já existe um, neste momento tão prematuro) com minha orientadora Dra. Profª Mônica Fantin. Seu comprometimento, dedicação, paciência e responsabilidade são inspiradores e exemplos a serem seguidos. Extremamente organizada e exigente, a Mônica me ajudou a ser uma orientanda, aluna e pessoa melhor. Não desistiu de mim, mesmo quando fui a mais teimosa das teimosas, ou imatura em relação ao mestrado. Talvez eu ainda seja teimosa e imatura, mas tenho certeza que melhorei um pouquinho e entendi que essa dissertação que está sendo construída não é só mais minha, mas nossa!! Jamais me senti sozinha nessa penúltima etapa do mestrado e se sinto mais confiança e segurança em mim é porque minha orientadora foi exigente o suficiente para cobrar e apontar o que melhorar, o que aprofundar, o que ler e articular. 

Unido a tudo isso, recebi encaminhamentos na perspectiva dos estudos culturais, além de pensar em alguns desafios que virão pela frente, mas que encaro de uma forma bem positiva e motivadora!!  Enfim, só posso agradecer as ricas contribuições e a sensação de dever cumprido em mais uma etapa do mestrado!!

Estou caminhando para reta final, com um repertório um pouco mais ampliado, com desafios novos pela frente, com contatos super importantes, algumas ideias amadurecidas e com a mesma empolgação de voltar a lecionar, mas me sentindo mais preparada, ainda que  inacabada!! (Sempre estarei! Que bom!!)

Para iluminar outros ansiosos em relação a banca de qualificação, só posso dizer que não existe fórmula secreta, pois cada trabalho, banca e contribuição detém suas particularidades e peculiaridades! Porém se ajudar, apresentei uma versão de 100 páginas, em sua 6ª versão, dividida em 4 capítulos, com 3 em desenvolvimento. A fundamentação teórica recebeu maior atenção e tudo que precisará ser aprofundando, foi indicado em notas de rodapé para antecipar a banca de possíveis observações em relação a estes aspectos. Como a pesquisa parte de uma experiência pessoal, a metodologia ainda está sendo estudada entre uma pesquisa com estudo de caso ou pesquisa auto-etnográfica. Porém, a banca nada comentou sobre isto e fui eu quem perguntei se o que estava colocada era suficiente ou dava conta. 

Uma coisa que acho importante fazer antes do encontro com a banca é se distanciar o máximo possível do texto por um tempo e ler minuciosamente, levantando tudo que parece frágil, questionável, contraditório, etc. Isso ajuda a se antecipar com as possíveis colocações e elaborar questões para fazer, com aval do orientador(a) caso não sejam levantadas e possam vir a ajudar.

E mais importante (grande desafio pra mim, que costuma ficar sempre na defensiva!): não perder tempo se justificando sobre os problemas, mas aproveitá-lo para ouvir tudo que a banca diz e questionar tudo que pode ajudar a conduzir o trabalho para reta final. O que passou, passou e o tempo que sobra deve ser aproveitado para preencher todas as lacunas e fragilidades! 

A parte boa é que agora o estudo é totalmente focado e objetivo, com o compromisso de corresponder com todas, se possível, contribuições da banca.

Dito isto, só posso comemorar, afinal é normal desanimar de vez em quando, passar semanas sem querer ler ou estudar, sentir insegurança e frustração, virar noites 'psicografando' autores e ideias, sentir-se despreparado e inacabado, ter fases onde é necessário se esforçar em lembrar dos motivos de se 'enfiar' numa pós-graduação, mas também de transformar-se a cada leitura e reflexão, de se conhecer melhor, de perceber quem são as pessoas que te apóiam nos momentos mais sensíveis e instáveis, de entender que mais importante que ler e citar diversos autores, é a qualidade da leitura, que se reflete na articulação dos conceitos, das ideias e propostas. Mais vale usar poucos autores, mas muito bem apropriados, problematizados e questionados, que usar vários, nuam espécie de colagem, sem posicionamento ou reflexão. Trabalhos de 'colagens' existem aos montes, mas posicionar-se é o grande desafio. Digo por mim, já que me posicionar diante de tudo me torna uma pessoa mais solitária! 

Debater nas aulas, com amigos, em qualquer lugar é exercitar a capacidade de articulação do conhecimento (exemplo do filme recente "Sem limites"), então se alguém sente dificuldade em escrever e falar, pode ter relação com os eternos silêncios e submissões. Discutir é arriscar, trocar, experimentar, errar, tentar, recusar, aceitar, questionar, problematizar, pensar, articular. E é também expor-se! Calar-se diante do mundo é calar-se diante de tudo que nos integra. Como se calar diante de tantos fatos, acontecimentos, ações, leituras, posicionamentos e pessoas?! Em todas suas singularidades e multiplicidades?! Por isso recomendo...discussões a vontade! Em toda hora e lugar, sem ferir o bom senso, se possível! (meu outro grande desafio!) E é claro, que no meio de tudo isso, observar e ouvir também é necessário, tão importante quanto!

Enfim, fazer mestrado é mais do que continuar estudando e buscando contribuir para pesquisa acadêmica ou para aperfeiçoar a formação. É também descobrir sobre si mesmo, sobre o mundo e suas verdades variáveis! É desaprender a ser convicto, fechado, preconceituoso, e permanecer com a eterna sensação de estar inacabada(o), sempre!! Que bom!

E bom seria se todos escolhessem o caminho difícil, de continuar estudando, inquietando-se, descobrindo-se e questionando esse mundo, tão injusto e desigual, naturalizado como normal e aceitável! Fazer caridade é apenas aceitar o mundo como é, praticando uma ação que visa amenizar a 'culpa' de não estar no final da pirâmide. Para transformar esse mundo, talvez tenha que ser a 'marteladas' (Nietzsche) e é preciso coragem para confrontar tudo e todo mundo, com a esperança de que alguma 'semente' da revolta e transformação germine no mais acomodado dos seres. E martelar traz solidão, mas é preciso ser forte e persistente para ser tão 'solitário'!! Que Deus, enquanto origem do eterno desconhecimento humano, possa me dar força o suficiente para 'martelar' até o fim! =)