terça-feira, 27 de setembro de 2011

O que rolou no XV Encontro SOCINE 2011 - UFRJ?!

Resolvi compartilhar por aqui, algumas das apresentações que assisti, com alguns comentários e inquietações.  Foi muito importante participar desse evento para entender melhor como funcionam os GTs, e quem sabe no ano que vem, estarei lá novamente, apresentando alguma parte da minha pesquisa!! 

Achei o evento um pouco desorganizado (ninguém sabia dar informações corretamente), muitas mesas começavam atrasadas e MUITAS pessoas leram textos com linguagem completamente acadêmica (raras exceções), dificultando a compreensão e reduzindo as possibilidades de discussão. As apresentações às vezes contavam com mais participantes do que ouvintes. Houve pouco espaço pra discussão aberta e infelizmente as mesas sobre educação e cinema foram marcadas todas no mesmo horário, então tive que priorizar algumas, sem poder participar de todas as outras. Pareceu-me um evento fechado, com pouca divulgação e preocupado meramente com publicações oficiais, que irão rechear o currículo de quem apresentou, sem a menor preocupação em compartilhar tudo isso com a sociedade, afinal muitos desses estudos são financiados pelas universidades públicas, ou seja, pela população.

Ao mesmo tempo, sei que foi um evento que começou pequeno e foi crescendo, ainda deixando a desejar, mas mostrando alguns avanços.

A área de pesquisa em cinema e audiovisual ainda é pouco reconhecida, então é super importante compartilhar trabalhos, discutí-los e lutar por reconhecimento. 

Seguem então, alguns dos trabalhos, com foco maior nas pesquisas relacionadas à cinema e educação!

20/09/11 - Conferência de Abertura com Laura Mulvey – apresentada por Ismail Xavier

Título: Teoria do cinema feminista em tempos de mudança tecnológica: novas formas de espectatorialidade

Houve uma mudança acentuada no significado psicanalítico do espectador de cinema entre a era da película projetada no escuro a 24 quadros por segundo e a atual era digital. Nesta palestra Laura volta-se aos filmes do sistema de estúdios de Hollywood para discutir as maneiras pelas quais a capacidade do espectador de intervir no fluxo dos filmes tem afetado o desejo, a narrativa e o espetáculo cinematográficos. Uma reflexão sobre a mudança da “paisagem espectatorial” e suas implicações para as teorias do espectador.

Comentário: A conferência tinha tradução simultânea (cada pessoa usava um aparelho com fones), que em diversos momentos pecou na tradução, com demora para articular as falas e idéias de Laura. Ela iniciou sua fala sobre ‘prazer visual e cinema narrativo’, associando o tema do encontro este ano “Imaginários invisíveis” aos clichês (mulher-objeto; homem-herói), sendo possível encontrar algo de precioso, a partir das novas tecnologias disponíveis. (retardar e acelerar da imagem e interferência do espectador com o ‘poder do controle’) Laura disse que suas teorias escritas até então, perderam a relevância diante dessas novas tecnologias. É possível ver algo de performático, congelando uma imagem, como ela demonstra com Marilyn Monroe no filme “Os homens preferem as loiras” (1953), ao mesmo tempo, esse poder do espectador de controlar a velocidade da imagem, revelando uma outra figura e ação masculina, enfraquecendo o fluxo narrativo. Ela diz que o cinema de 24 quadros por segundo, não previa essa capacidade de controlar a imagem, revelando precisões que muitos mecanismos escondiam nas performances dos atores e atrizes.

21/09/11 – Sessões de comunicações individuais

Alunos fazendo e estudando cinema

Alita Villas Boas de Sá Rego (coordenadora) - Laborav: Audiovisual e colaboração na Periferia do Rio de Janeiro

Comentário: Alita inicia sua fala, colocando a situação dos estudantes de periferias, que não freqüentam o cinema, e são espectadores de televisão aberta, e às vezes dos DVDs piratas que circulam nas comunidades. Com a idéia de montar um cineclube, percebeu que sem formação de platéia, as salas ficavam vazias. Montou então o LABORAV (sua fonte de pesquisa), dispositivo para produção, projeto de extensão onde os alunos de graduação de baixa renda de Caxias – Baixada Fluminense (?), produzem vídeos (sem interferência de técnicos) com temas, como medo ou filmam com um plano só. O curso de pedagogia tem uma estrutura completa montada, com webtv, rádio, etc. Os alunos criaram programas como “Quem cala, consente”, onde entrevistam estátuas, e o “Voz Urbana”, onde a câmera filma um palanque onde as pessoas falam o que quiserem. Ela também constatou, que é natural a reprodução de clichês nas produções dos alunos, ainda que tenham abertura e oportunidade de fazer o que quiserem. E agora, com o projeto consolidado, o cineclube já tem platéia e grupos de estudos teóricos.

Mariana Porto de Queiroz - Escola engenho: criação de uma escola de cinema pra crianças no Recife

Comentário: Mariana inscreveu seu projeto num edital do estado e sendo aprovado, iniciou seus trabalhos numa escola de cinema, que acabou se ampliando com o passar do tempo. Seu público são 20 crianças de 6 a 12 anos da periferia do Recife, que não vão ao cinema (equivalente a fala de Alita) A idéia era formação de platéia, para implementar cineclube e ampliar o repertório dos alunos, e formando vínculo com a comunidade. Ela chamou 6 realizadores de audiovisual (foco na prática) para colaborar com a formação dos alunos, sem terem qualquer experiência pedagógica, tendo que adaptar suas metodologias para aquele contexto. Os oficineiros tem aulas e diários, como forma de debaterem sobre sua própria formação e experiência com os alunos, procurando sempre melhorias. Também falou do uso de clichês e a tentativa do grupo de libertar a criatividade dos alunos. Comentou ainda do choque cultural entre os oficineiros e alunos, com visões e realidades tão diferentes, onde a escola passou a aceitar o que eles traziam, trabalhando em cima desse repertório. Os alunos tem alunas de técnicas, mas também der discussões, fazendo visitas em museus, intervenções na comunidade, projeções nas ruas, além de trabalhos para estimular a concetração e valores importantes no mundo cinematográfico. O projeto então tem esse aspecto de transformação social, envolvendo toda comunidade. Uma das bases teóricas vem de Deleuze, onde a experimentação é uma forma de adquirir conhecimento, aprendendo com os erros.

Marcos Magalhães - Animação espontânea – Criação e aprendizado na linguagem de animação.

Comentário: Marcos focou sua apresentação na relação da história da animação com o cinema, mostrando diversas experimentações suas e de outros. Deu aula no curso de Design, que tem como ponto em comum com a animação, a manipulação do que está entre imagens. Desde o princípio da humanidade, havia uma tentativa de dar movimento aos desenhos, com a arte rupestre, na tentativa de contar uma história. Foi a animação que originou o cinema, mas com o tempo, ocorreu um deslocamento entre os dois, como se fossem coisas diferentes. Ele cita dois tipos de animação, “contínua” (um desenho depois do outro) e “com posições chaves” (ação gradativa). Marcos trabalha no Animamundi (existe há 10 anos) e oferece oficinas, onde ajuda na formação de professores e uso da animação em sala de aula com crianças. E com o debate aberto, mais uma vez foi dito que o contato com audiovisual promove transformações sociais, onde a ênfase deve ser na prática, valorizando a experimentação e a capacidade de sair do lugar-comum.

Alexandre Buccini - Cinema na Escola - A hora dos alunos “fazerem” cinema documentário

Comentário: Alexandre é professor de universidade e de geografia no Ensino Médio de uma escola de classe alta de São Paulo. Ele sabe que há estudos sobre o uso de cinema, mas encontrou poucas referências com foco na prática. (cinema como linguagem) Sua curiosidade em saber qual é a formação do público de classe alta, originou sua pesquisa de doutorado. Percebeu que os alunos tinham uma visão de mundo muito conservadora (homofobia, exclusão social) e um equivocado julgamento do seu próprio contexto histórico. Iniciou um projeto na disciplina de geografia, com produção de documentário, feita pelos alunos, com exibição no festival da escola no final do ano. E diz que esse pensamento conservador passou a ser desconstruído na medida em que os alunos precisavam pesquisar e entrar em contato com os temas dos documentários.

Painéis

Imaginário e alteridade

Aldenira Mota do Nascimento - CINEMA E EDUCAÇÃO: uma reflexão sobre a produção audiovisual na escola

Comentário: Aldenira é professora assistente (acompanhamento de escola em tempo integral) de uma escola particular do Rio e trabalha com o 8º ano. Com a rivalidade entre os alunos, buscou no cinema uma forma de promover discussões em temas como democracia. Ela não tinha formação e faltava equipamento, mas buscou parceiros e técnicos para ajudar no seu projeto. Tem como referência Alain Bergala, Rosália Duarte e Mônica Fantin. Ela exibiu um vídeo de seus alunos e percebi que não há critério estético com suas produções. Plano parado, sem composição, representação equivalente ao teatro (de mentirinha). Essa experiência é seu ponto de partida da pesquisa de mestrado.

Anderson Silva Vieira - Timor-Leste, cinema e a invenção do Nós

Comentário: O tema não me interessa muito, mas Anderson falou de como o Timor-Leste tem utilizado o audiovisual por uma busca de identidade, na tentativa de resgatar sua história. O uso de documentário é o mais freqüente, e a estrutura ainda é carente. O público consumidor de cinema ainda está em formação.
   
Mirian Ou - O filme-família, Hollywood e o imaginário internacional-popular

Comentário: Mirian tem como foco de pesquisa, filmes-família, que tem o objetivo de atingir um público amplo. Percebeu que os filmes-família são os que ocupam as posições de maior bilheteria. Senti falta de ela falar sobre a narrativa clássica hollywoodiana associado ao lúdico. Ela listou algumas características dos filmes-família que se apresentam justamente nessa relação. Personagens-animais, universos fantasiosos, imagem família (dois adultos e duas crianças), etc. Ela também comentou que são filmes que se projetam para outras áreas do mercado. Também senti falta de ela comentar sobre narrativa transmídia, que não é exatamente o caso, mas tem foco na continuidade do produto cinematográfico.

Seminários temáticos

TV: formas audiovisuais de ficção e documentário

Beatriz Becker - No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais: TV e Educação

Comentário: Beatriz inicia sua fala com a recorrência de discursos que subestimam o repertório e potencial dos alunos. A pergunta “Como a educação pode compreender a mídia e viceversa?” levou-a a um estudo de caso do programa “No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais”, com direção de Cao Hambúrguer, com duração de 16 episódios na TV FUTURA. Em parceria com outro pesquisador, apresentaram sua pesquisa em forma de um pequeno documentário, buscando fazer uma leitura crítica a partir da narrativa, temática, som, edição, etc. O documentário apresenta comentários críticos a partir de exemplos mostrados. Eles acreditam que o programa ajuda a desconstruir os códigos de linguagem da televisão, além de técnicas de animação, mistura personagens fictícios e entrevistas com profissionais da área do cinema e do audiovisual. Apelam para o cômico, ‘brincando’ com a idéia de um espectador passivo, retratada de forma ‘caricaturizada’. E a partir desta leitura crítica, conclui que a TV é sim um espaço de aprendizagem, utilizando este programa como exemplo.

Sessões de comunicações individuais

TECNO-LOGIAS

Maria Helena Braga e Vaz da Costa - Cinema, Tecnologia, Arte: Uma visão crítica sobre a cor no cinema

Comentário: Mª Helena é do Rio Grande do Norte e iniciou sua fala fazendo um mapeamento sobra a introdução das tecnologias no cinema, com foco específico sobre a cor. Ela disse que a cor no cinema, causou impactos econômicos e sociais. Apresentou 4 principais teorias sobre a introdução da cor nos filmes, com as seguintes justificativas (resumo meu): 1. Uso da cor para dar um senso maior de realidade; 2. Para aumentar a possibilidade de criação de novos gêneros; 3. Uma nova forma de lucrar, atraindo o público; 4. Potencializar efeitos dramáticos. E em seguida, ela apresenta suas contraposições: 1. A cor quando introduzida foi utilizada muito mais para experimentos estéticos não-realistas; Ela diz que quando o som surgiu, imediatamente os modos de fazer filmes foram interrompidos e inovados, mas com a introdução da cor, demorou certo tempo para ser incorporada. Somente assumiu ‘seu posto’ na década de 60, para competir com a TV a cores. E a cor era muito associada à fantasia. 2. Mª Helena mostrou um trecho do filme preto&branco ‘Jezebel’ (1938), para exemplificar o uso do contraste claro/escuro (debutante que utiliza vestido ‘vermelho’, se destacando das demais) já incorporado antes da utilização da cor. O realismo não estaria associado a presença da cor, pois outros elementos cumpriam esse papel. 4. Ela nos mostra um trecho de ‘Um corpo que cai’ (1964) com utilização da cor na parede associada ao personagem e ‘Marnie’ (1964) (os dois de Hitchcock) close na bolsa branca da personagem cleptomaníaca. Com isto, ela diz que a cor destaca também elementos, além dos efeitos dramáticos. O filme preto&branco passa a ser uma opção estética, assim como foi os filmes mudos. Ex.: “A lista de Schindler”, ausência da cor para contextualizar um momento histórico, mas uso do vestido vermelho para efeito dramático e deixar o espectador atento.
Mª Helena diz que a adoção de uma nova tecnologia sempre proporciona novos experimentos. E lembra que nos anos 80 foi muito comum colorizar filmes realizados em preto&branco para atrair o público a assistir filmes antigos. Eu coloco a questão do cinema 3D de alta resolução como um terceiro grande marco, e a mesa (outros participantes) acham possível que seja, mas ‘é ver para crer’! Diferente da som, a cor foi melhor aceita por apontar maiores possibilidades de criação e experimentação.

22/09/11 – Mesas temáticas

Ajudando a dar rosto ao futuro: o cinema como espaço de reflexão e transformação

Maria Cristina Miranda da Silva - Cinema e educação - uma experiência de reinvenção

Comentário: Maria comenta sobre a pedagogia godardiana, considerando o cinema como experiência artística, espaço de aprendizado e contribuição para formação de professor. Traz inquietações como “Como ensinar cinema?”; “Como fazer cinema como arte?”; “Como trabalhar o gosto pelo cinema de arte”. Ela cita Godard, que acredita na necessidade de ‘despertar o olhar’ do espectador. E gostar de cinema,  já seria uma forma de aprender a  fazer cinema. Ele diz que aprendeu muito assistindo filmes na sua juventude e isso o ajudou em suas criações fílmicas. Com isto, Maria ressalta a importância de cinematecas (acervos) e dos cineclubes (espaço de exibição e discussão de filmes) e acredita no cinema como instância educativa, sendo a linguagem audiovisual (cinema ampliado) de extrema importância nas escolas. Ela apresenta alguns pontos para pensar o cinema hoje: 1. Considerar o primeiro cinema e sua relação com o cinema de atrações e espetáculos, através de re-criações. 2. Considerar o cinema narrativo clássico (Griffith) como forma de espetáculo de massa e pensar nas possibilidades diferentes das narrativas. 3. União do cinema e das novas tecnologias (ex.: livecinema) e o artista que reinventa a arte. (Arlindo Machado) Ela cita novamente Godard, sobre aquilo que é visível no cinema e o invisível que é visto através do visível. Para isso é preciso um olhar sensível, como espectador e realizador, no contexto educativo, um ensinar a aprender, ampliar o campo de visão, descrever com a câmera, inverter teoria-prática para uma prática-teoria. No campo da educação é preciso estimular a decupagem das imagens, além da busca em experimentar e reinventar o cinema.

José de Sousa Miguel Lopes - O Conformista: conflitos políticos e morais sob o manto do autoritarismo

Comentário: Esta apresentação não me interessou muito, mas algumas colocações foram pertinentes. José discursou sobre o filme “O conformista” e falou sobre o uso do cinema, de filmes como alegorias políticas. Diz que a educação deve contribuir para a autonomia do sujeito de decidir o rumo de sua vida. (Emancipação de Kant?) E que qualquer autoritarismo aniquila qualquer possibilidade de autonomia.
  
Selma Tavares Rebello – O Debate no Cineclube da UFRJ numa Perspectiva de Releitura da Prática

Comentário: Selma fala da importância do Cineclube (aprendizagem não-formal), que é um espaço que possibilita contato com a arte e discussão a partir de questionamentos e inquietações sobre o filme, e que a partir dele (experiência na UFRJ com foco em alunos da Pedagogia e da graduação em geral), com temáticas sobre educação, é possível provocar releituras na prática pedagógica e leituras críticas dos filmes. Para o debate ser ainda mais rico, o cineclube conta com a presença de professores e cineastas e suas respectivas contribuições. Ela considera a arte uma ‘forma de representar os sentimentos do mundo’, não pretende ensinar nada, mas apresentar. Considerando o espaço único e limitado, os critérios de escolha dos filmes é rigoroso, com foco em filmes que fogem do padrão comercial. Ela traz as seguintes inquietações “É possível mudar alguma visão de mundo a partir da prática de ver filmes?!”; Ou ainda, “promover notas leituras sobre educação?”; “O que fazemos? Para quê e para quem?! Neste sentido, é importante impregnar no pensamento pedagógico a arte, experiência dos sentidos, o olhar do outro a partir do nosso e entender o espaço do cineclube, como um lugar para o ato criativo. Ela cita suas referências (Alain Bergala, Rosália Duarte, Ismail Xavier, Arlindo Machado e Bordieu) e diz que a competência para ver filmes não se restringe em apenas assistir filmes, é preciso discuti-los, problematizá-los.

Debate: Após as apresentações, foi iniciado um debate a partir das questões dos participantes ouvintes. E José diz que ‘ver um filme e não discuti-lo é destruir todo seu potencial educativo’. Todos os três defenderam a exclusão do cinema comercial em sala de aula ou nos cineclubes, para valorizar o tempo com obras artísticas, privilegiando a diversidade, a partir de filmes de pouco e difícil acesso. Eu me pergunto se isso não é um certo autoritarismo, impor somente um determinado tipo de cinema para contrapor com o repertório supostamente já formado com cinema comercial, contradizendo a fala anterior de José. Ele também comenta sobre o professor-herói caracterizado nos filmes hollywoodianos, em contraste com o professor do filme “Entre os muros da escola”. Falou que o cinema hollywoodiano não é a mesma coisa que cinema norte-americano. Foi aí que levantei a seguinte questão: “Se no espaço da escola só se deve discutir um ‘outro’ cinema, qual seria então o espaço para discutir o repertório que eles já carregam?! Apresentar um ‘outro’ cinema é suficiente para dar conta?! Não deveria haver discussão nos dois casos, ressaltando justamente as diferenças?!’ Como julgar um filme de arte?! Como aproveitar o repertório?! Porque exibir só o que é de vanguarda?! Não existe uma questão de gosto também, muito pessoal?! Um ver ‘além’ não se aplica a qualquer pessoa, pois nem todos dos filmes permitem ‘ver’ além, só por se pretenderem para tal, vai depender da experiência pessoal e relação de cada pessoa com o filme.

Seminários temáticos

TV: formas audiovisuais de ficção e documentário

Arlindo Ribeiro Machado Neto - A Morte da Televisão segundo Lost

Comentário: Arlindo exemplificou características e desdobramentos do seriado Lost como uma forma de narrativa transmídia bem sucedida na televisão. (Partindo do conceito de Henry Jenkins, que exemplificou ‘Matrix’ no caso do cinema). Lost revolucionou a forma de se fazer televisão, criando espaços parelelos à narrativa seriada, como jogos, enigmas para serem desvendados em pistas espalhadas em programações, cartazes, produtos, etc. Nesse sentido, interromper uma temporada, não significava o desligamento temporário dos fãs, durante o período de pausa, as experiências e enigmas continuavam. Tudo isso provoca uma excitação, uma atração, para um espectador que se recusa a ser passivo e passa a ser ativo e participante. Como o próprio Jenkis diz, tudo isso tem uma relação com mercado e marketing, mas é um fenômeno que fez a TV morrer e renascer de uma outra forma.

Eduardo Tulio Baggio e João Carlos Massarolo também fizeram apresentações, mas as considerei irrelevantes diante do que já havia sido falado. Apenas destaco que a TV passa por um processo de transformação, na qual a necessidade de criação de universos se faz necessária. Universos onde o espectador possa participar ativamente, produzir e consumir conhecimento e informação.

No contexto brasileiro, Arlindo Machado diz que a TV Globo é ainda muito conservadora, mas o programa-novelinha Malhação se apresenta como uma tentativa de narrativa transmídia, com vídeos paralelos em sites (início em 2009), opções de personalização e agora com perfis dos personagens no twitter.

23/09/11 – SESSÕES DE COMUNICAÇÕES INDIVIDUAIS

ENCONTROS ENTRE AUDIOVISUAL E DOCÊNCIA

Inês Assunção de Castro Teixeira (coordenadora) - Sob a “Câmera de Nestor Canclini”: ancoragem para encontros entre cinema e docência

Comentário: Inês é fundadora da rede Kinos e apresentou um panorama sobre o autor Canclini (vida e obras, olhar para América Latina) e citou 4 pontos de partida no contexto da educação. 1. Formação de professores com foco no estímulo às questões éticas, estéticas, poéticas, intelectuais, etc. 2. Quebra de dicotomias e pensar de forma mais experimental, típico do campo da arte, mais distante da ciência. ‘hibridização’. 3. Pensar o mundo contemporâneo para além do mundo, considerando a arte como possibilidade de iminência, deixar acontecer, deixar chegar e como possibilidade de criação do inexistente. 4. Considerar a arte como construção social, entre relações sociais, dentro de um mercado. Cidadania também envolve consumo, cabe se perguntar “Qual consumo?” Ela encerra dizendo que o cinema pode ajudar a trabalhar a sensibilidade dos professores.

Ana Paula Nunes - Metodologias de quadro a quadro

Comentário: Ana tem formação em cinema e audiovisual e participa de um projeto de extensão chamado ‘quadro a quadro’, fazendo referência ao quadro de uma sala de aula e quadro de uma sala de cinema. Ela inicia a fala, dizendo que a pesquisa sobre cinema ainda precisa de reconhecimento, pois ainda não está inserido nos currículos educacionais. (Fernão Ramos considera o cinema uma área do conhecimento). Ela diz que pouco se pensa sobre metodologias possíveis (fugindo de ‘receitas’ aplicadas na sala de aula). Falta uma normatização dessas experiências. Cita 2 linhas de pensamento, entendendo o cinema como arte e comunicação: educomunicação e  arteducação. (Mídia-educação NADA!!) Na educomunicação se considera a pedagogia da linguagem total. Na arteducação, com referência em Alain Bergala, considera o cinema como arte. Ela coloca aproximações e diferenças entre estas duas linhas de pensamento. Diz que existem longas experiências que não são sistematizadas, resultando sempre em recomeços. Cita Paulo Freire, saber como prática, onde as atividades dos alunos se baseiam em compromissos voluntários. Logo depois coloca algumas propostas. 1. 5 pistas para trabalhar o cinema, além do rádio, TV e cinema, considerando as palavras, imagens, sons (voz, ruído e música). Fala de uma aproximação com a cultura popular. 2. A partir de Bergala, outra proposta envolve uma análise criativa e crítica. Foco na percepção, intuição, criatividade, reflexão. Bergala diz que a verdadeira reflexão nasce da prática. E propõe ainda que o processo de leitura crítica se inicie com imagens fixas, para depois trabalhar as imagens móveis. Porém Ana diz que a visão de Bergala é muito radical, pois ele considera a televisão e os produtos de consumo uma ‘miséria’ e quem os utiliza em sala de aula é um ‘traidor’.

Paulo Roberto Montanaro - A transmídia e a busca de uma nova linguagem audiovisual para EaD

Comentário: Paulo contextualizou o que seria uma narrativa transmídia e disse que até agora ela só foi aplicada em bens de consumo. Sua pesquisa parte de inquietações de como aproveitar a narrativa transmídia no contexto educativo, com foco em EAD, que utiliza o audiovisual como material pedagógico e instrucional. Paula ressalta a importância de criar vídeos atrativos e dinâmicos, pois a monotonia dificulta a apreensão do conteúdo e causa desinteresse. Ele diz que os vídeos produzidos para EAD não são ficção e nem documentário, por isso é preciso formular uma nova linguagem para essa área. Cita Vygotsky para ressaltar a importância do diálogo e de alguém que pensa na educação com participação ativa. Após sua fala, comentei do Projeto do LANTEC, Eproinfo que poderia ser considerado um projeto inovador de narrativa transmídia no contexto educativo, voltado para EAD. Citei o ‘conceito’ (não sei ao certo) de estudos autônomos, que eles evocam no projeto. O projeto ainda está em construção e será implementado no Portal do Professor, para ajudá-lo a fazer uso das mídias, como usuário e professor, utilizando diversas plataformas como suporte pedagógico, como criação de blogs, pesquisa na internet, elaboração de textos, acesso à vídeos em diversos canais, etc.

PRODUÇÃO CASEIRA E RECEPÇÃO NO ESPAÇO VIRTUAL

Lígia Azevedo Diogo - Vídeos de família analógicos: a produção doméstica pré-YouTube

Comentário: Lígia faz uma apresentação sobre sua pesquisa se mestrado, relacionando imagens de família de vídeos analógicos com as produções domésticas do youtube. Comenta sobre a falta de pesquisa sobre o assunto e na despreocupação em preservar este material. Porém senti falta da relação com a história do cinema, que apresenta no início de sua história, registros familiares, hoje considerados relevantes e históricos, além de não ter falado da atual digitalização dos vídeos analógicos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

XV Encontro Internacional da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema



Hoje embarco para o Rio de Janeiro para participar pela primeira vez de um Encontro da SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

As mesas e palestras sobre cinema e educação estão fantásticas, então imagino que muita coisa boa vai rolar durante estes 5 dias de evento!! Para os interessados, fica a dica!!!

E para os mochileiros de primeira viagem, como eu, seja o que Deus quiser!!! =)

Confira algumas mesas redondas (cinema & educação) bem bacanas:

- Alunos fazendo e estudando cinema
- Cinema e educação – pesquisas em diferentes contextos educativos
- As artes de Godard: diálogos entre cinema e educação
- Imaginários (in)visíveis e iniciativas (im)possíveis com cinema e educação
- Exibição, pesquisa-intervenção e sala de aula
- Imaginário e alteridade
- Ciências sociais e cinema: metodologias e abordagens de uma pesquisa interdisciplinar
- Gêneros e Olhar

- Tecno-logias
- Encontros entre audiovisual e docência
- Indústria e Recepção Cinematográfica e Audiovisual
- TV: formas audiovisuais de ficção e documentário
- Produção caseira e recepção no espaço virtual

- Estética e experiências transmidiáticas
- Narrativas em rede

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A elite intelectual

por Alessandra Collaço da Silva

            Se engana aquele que pensa em luta de classes apenas em contextos econômicos e sociais, há também uma outra batalha, menor, mas tão intensa quanto, no contexto acadêmico. Nietzsche (2000) fala em seus escritos que entre a natureza humana é natural o surgimento de uma ‘aristocracia intelectual’, que entendo aqui, como uma pequena parcela da população que se interessa em procurar respostas para suas inquietações no âmbito da ciência e pesquisa. Não que ele entendesse porque essa divisão acontece, mas apenas que acontece!

            Será que essa divisão de classes, já percebida no aspecto social e econômico, no contexto intelectual, também não é causada justamente pelo mesmo acesso desigual ao conhecimento e a informação em sociedades capitalistas (ou não), naturalmente condicionando determinadas camadas sociais (populares) ao alienamento, promovendo uma seleção ‘natural’ no intelecto, apenas por desnivelamento na formação e educação?!

            Saviani (2009) já afirmou que historicamente teorias na área da educação, constataram que muitos dos métodos pedagógicos adotados pela sociedade, acabaram por apenas reforçar a desigualdade social, já existente, por serem determinadas pelo interesse de classes dominantes sobre as dominadas. Afinal, porque o Estado (ou a elite) iria querer oferecer a mesma educação para todas as classes, se tendo consciência do controle e imposições que sofrem, as classes dominadas se rebelariam contra o sistema?!

            Neste sentido, o que falo aqui não é novidade, afinal este é o discurso que escutamos no programa de pós-graduação em educação da UFSC e em muitos outros, onde nos engajamos em lutar por melhorias na educação, espaço onde atuamos (ou não) e fundamental para uma transformação social significativa. Porém, ao ingressar na pós-graduação, percebi que os mesmos que discursam, são também os que sustentam este abismo, em posturas acadêmicas competitivas e vangloriadas.

            Para muitos, estar num mestrado ou doutorado é um grande privilégio, e um nível intelectual é naturalmente exigido, mas por quê?! Porque é um privilégio?! Será que poucos chegam lá apenas por merecimento?! Quantas pessoas têm projetos fantásticos e uma vontade gigantesca de contribuir para transformação da sociedade, partindo do âmbito acadêmico, mas por um ou outro motivo burocrático, acabam sendo excluídos de processos seletivos em programas de diversas universidades?! Falta de orientador, projetos descartados, pouca verba, pouca vaga, nota baixa em alguma prova. Por que é necessário tanto nivelamento?! Quem faz parte de uma pós-graduação ou chega a ser professor no ambiente acadêmico é realmente o mais competente para tal?!

            Quantas aulas improdutivas e professores despreparados em cursos de graduação e pós, enfrentamos ao longo da vida?! Quantos profissionais e educadores saem despreparados das universidades, e ingressam (ou não) na área profissional sem êxito, infelizes, descartados, desvalorizados, dando continuidade a um abismo social, já existente e cada vez maior?! Numa filosofia capitalista, onde só o julgado ‘melhor’ atinge o sucesso, realmente não há espaço para todos?! 

            O que observamos não é um sistema coletivo de trabalho, sustentada por todas as camadas sociais, sem distinção de importância, mas sim uma distinção de ‘status’ social, onde aqueles que atingem formação superior têm mais valor que os que apenas oferecem sua ‘força de trabalho’. Porque o conhecimento tem realmente mais valor que a força de trabalho, se para manter este sistema funcionando, todas as funções, profissões e ações são necessárias para mantê-lo?! 

            Porque alguém que atinge uma pós-graduação deveria ser considerado privilegiado e supervalorizado por isso?! Não deveria! Estar lá é fruto de uma capacidade e vontade despertada de uma educação que não é igual para todos. É talvez um privilégio triste e parece que no ambiente acadêmico, eu deveria me sentir vangloriada e deveria vangloriar os que lá estão e lá ajudam a ‘transformar’ a sociedade, mas não é como me sinto. Uma pós-graduação é para mim nada mais que uma continuidade dos estudos da graduação. Uma forma de contribuir de alguma forma para a pesquisa, a partir da minha experiência pessoal, no contexto da educação, que é meu caso, mas muitas vezes, sinto que sou cobrada e pressionada a apresentar um nível intelectual, que não sei se tenho e se deveria ter. Deveria ter?! O que ofereço não é suficiente?! 

            Sou obrigada a ler diversos autores para fundamentar idéias e pensamentos que talvez já tenha, a partir de outras construções e experiências. Sou obrigada a concordar com o que já foi dito, só porque o que tenho a dizer ainda não pode se comprovar, não tem valor. Sou obrigada a cumprir prazos e metas, para enriquecer meu currículo e então poder fazer um uso prático da minha pós-formação, ou todo esse investimento só terá valor para meu crescimento pessoal e nada mais. Sem um diploma, um título e um currículo recheado, não represento nada e nada posso transformar. É isso que ouço, ainda que me deixe inquieta.

            Se não supervalorizo aqueles que já têm uma estrada percorrida, sou ousada e arrogante, e novata, nada tenho a dizer ou ensinar que possa ter reconhecimento. Hannah Arendt (2009) diz que é natural que as velhas gerações confrontem as novas, ainda que por “mais revolucionário que possa ser em suas ações, é sempre, do ponto de vista da geração seguinte, obsoleto e rente á destruição.” Mas para dar continuidade ao mundo e humanidade, é necessário permitir que as novas gerações tenham “a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.” Se sou obrigada a fazer estas leituras, para articular com outras teorias, porque na prática não enxergo estas atitudes?! 

            Leio sobre métodos pedagógicos que incentivam a valorização da experiência e interesse do aluno e educando, mas enquanto aluna e educanda numa pós-graduação, devo apresentar uma conduta impecável, de humildade e submissão, e minha experiência ou interesse não são suficientes para receber motivação. Sinto-me sempre cobrada e pressionada, muitas vezes, sentindo-me desvalorizada e incapaz, e muitas vezes me sentindo como uma máquina, que não deve sentir, sofrer, chorar, desequilibrar-se, fugir, enganar-se, ter problemas ou realizações pessoais, como se fazer pós fosse uma grande dádiva e só com isto, deveria me sentir feliz e satisfeita, desconsiderando o grande fardo que é continuar estudando, numa sociedade capitalista e machista, que valoriza a intensa produção, e se improdutiva, não sirvo nem como força de trabalho ou força intelectual. Não há espaço para instabilidades emocionais, apenas para alguém que deve a todo custo fazer valer sua vaga tão privilegiada, sem questionar-se por isso e sem lutar com outras armas. 

            Na elite intelectual, muitos abrem mãos de suas vidas pessoais como um grande favor para humanidade, e cobram de todos os outros que se arriscam pelo mesmo caminho, sem entender que o fundamental para a transformação social é a motivação pessoal. É preciso ter paixão e amor com o que se faz, ou esse fazer se torna apenas um discurso, uma teoria, ‘palavras no vento’, que não mudam nada e nem ninguém, por que sem o pessoal na vida acadêmica, não há lugar para o sentimento, ingrediente fundamental para qualquer transformação que se queira fazer. 

            Quantas paixões foram frustradas por barreiras burocráticas e por descrenças daqueles que há muito não sonham mais e não lembram mais das suas inexperiências e falhas?! Quantas paixões ficaram guardadas nas estantes e nas rodas de conversa, porque foram desvalorizadas demais para seguirem em frente?! E muitas vezes o que segue no ambiente acadêmico não é mais uma paixão, mas ambição, seja ela profissional, financeira, mas sem comprometimento de transformação social. 

            O que vivemos no ambiente acadêmico é uma ‘máfia de currículos’ e posições sociais. Quanto mais publicações e participações em bancas e eventos, mais competente se é! Será?! Critérios estabelecidos justamente por aqueles que tanto falam em qualidade e não em quantidade! Justamente por aqueles que pregam a necessidade de mudança, mas continuam cobrando e pressionando da forma mais conservadora possível. 

            Viva a contradição humana! Mas cabe a pergunta, para quê e para quem é uma pós-graduação?! Porque eu deveria vangloriá-la, se ela é apenas parte de uma longa caminhada, sem a qual não conheço o destino, e onde só posso contribuir com o que ‘tenho’?! E porque o que ‘tenho’ é tão pouco?! Porque preciso ser muito para ser alguém?! Não posso encará-la como um projeto pessoal, muitas vezes, de auto-conhecimento e amadurecimento?! Eu deveria estar pronta para esta jornada? Alguém está?!

            Só porque alguém tem inúmeras publicações, leu muito mais do que eu, cumpriu todos os prazos, está mais preparado?! E será muito mais bem sucedido?! Será que eu, na minha ingênua idéia de contribuir como posso, não tenho nada a oferecer?! Meu pouco não é suficiente?! As ‘portas da elite intelectual’ devem se fechar porque não me enquadro em todas as regras?! Estas portas não deveriam se abrir e acolher a todos que nela batem, para justamente esfumaçar os limites que as divisões de classes impõem?! 

            Pergunto-me diariamente porque quis continuar estudando. Por que continuar estudando numa sociedade tão preocupada com resultados?! Por que sacrificar minha vida pessoal por mero prestígio profissional?! Por que insistir numa batalha, que insiste em me diminuir?! Pra fazer valer a pena pelos que não podem? Pra ter algo a contribuir neste mundo tão cego e interessado em capital?!  Pra conciliar paixão com necessidade de renda?! Não sei...são respostas que ainda não tenho...são perguntas que me rondam e inquietam...a única coisa que sei é que quando se estuda e nesse estudo se aprende algo, vicia. E quando se para, a mente esvazia, ‘emburrece’. Existe uma necessidade de entrega, uma vontade de conhecer enorme, e com ela, cresce uma vontade de compartilhar este conhecimento com todos, mas nem sempre ‘todos’ estão interessados em ouvir. Nem sempre estão preparados ou dispostos. E assim, só resta silêncio e sinceramente, não foi com silêncio que a humanidade mudou nada! 

            Como diria Nietzsche (2003), para transformar é preciso ‘marteladas’! É preciso confronto direto, é preciso questionar as regras e se possível, quebrá-las, sem num primeiro momento ser reconhecido por isso, pois ‘nós plantamos para que gerações futuras possam colher!” e não acredito que apenas uma pessoa possa fazer isso, são várias vozes unidas que podem! Então se para mudar essa elite intelectual eu precise confrontá-la, aqui estou eu confrontando, criticando, lutando...tentando ser o que sou, pois "se sou um, é melhor estar em desacordo com o mundo do que estar em desacordo comigo mesmo!" (Sócrates apud Arendt, 2009)

Outras Vozes unidas a minha!

ARENDT, Hannah. A crise na educação in Entre o passado e futuro. Tradução Mauro W. Barbosa. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.

NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Trad. de Paulo César de Souza. São
Paulo: Companhia das Letras, 2000.

__________ Escritos sobre educação. Trad. Noéli Correia de Melo Sobrinho. RJ : Ed. PUC-Rio, 2003.

__________ Assim Falava Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Petrópolis – RJ: Vozes, 2008.

__________ O espírito livre. In. Além do Bem e do Mal. Tradução: Paulo César de Souza.
Companhia das Letras. São Paulo, 2005.

Revista Cult. Dossiê “Nietzsche – humano demasiado humano” São Paulo: Bregantini Ano 13. Edição 143 pg. 48-64

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia: teoria da curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 41. ed. revista. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.

Inspiração em Steve Jobs...

"Your time is limited, so don't waste it living someone else's life. Don't be trapped by dogma — which is living with the results of other people's thinking. Don't let the noise of others' opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary." Steve Jobs
Tradução: "Seu tempo é limitado, portanto não o desperdice vivendo a vida de alguém. Não caia na armadilha do dogma - que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixe que a opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante, tenha coragem para seguir seu coração e intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o resto é secundário!"
Por isso, força na peruca!! =)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Felicidade" de Marcelo Jeneci



Felicidade 
Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
/Dançar na chuva quando a chuva vem./ (4X)

As 5 coisas boas e ruins do mestrado...


'Que atire a primeira pedra', quem nunca pensou em desistir do grande desafio de fazer mestrado no meio do caminho....

Quem nunca pensou "Onde foi que me meti?!" ou muitas vezes se sentiu e se sente impotente e incapaz....diante de leituras difíceis, relacionamentos conturbados, prazos apertados, cobranças interiores e exteriores, competição entre os colegas, problemas burocráticos, necessidades financeiras incompatíveis com bolsa ou renda, escolhas difíceis, tudo isso sempre conciliado com 'administração' da casa, família, horas de lazer, amigos, compromissos pessoais, tpms, depressões, etc e tal...

Em dias cinzas, os bons motivos parecem distantes e é preciso muito esforço para lembrar porque resolvemos abrir mão de tantas coisas, por um sonho, um desejo, um objetivo...profissional, financeiro, social...que exige um desgaste emocional gigantesco...

Lá no fundo, cada um sabe as escolhas que fez e o tamanho de seu próprio sofrimento....e essa dor jamais deve ser comparada...cada um sabe de si e tem seus próprios limites...

Hoje é um dia cinza...onde a inspiração ficou suspensa, por conta de algum estresse ou distração...nem sempre é fácil ter a disciplina necessária para administrar as responsabilidades de um mestrado com o lado emocional aflorado...nem sempre é fácil acordar diariamente disposto a se debruçar em milhares de livros e suas teorias...com energia suficiente para digerir, processar e escrever sobre todas elas...

Sempre me dizem que é um privilégio, uma honra estar no mestrado...e é...mas às vezes parece um golpe de sorte, um acidente...um engano, que a qualquer momento irão descobrir..."Ei! O que você está fazendo aqui?!"...

Ouço tanto da importância da humildade na pesquisa....como se a humildade fosse algo possível de ser adquirida por vontade própria e com total consciência...

A pessoa simplesmente é humilde...não pode tentar ser...já vi muita arrogância, maquiada de falsa humildade...então prefiro nem usar essa maquiagem...prefiro mostrar o que sou...como acho que todos deveriam fazer...

"Se sou um, é melhor estar em desacordo com o mundo do que estar em desacordo comigo mesmo!" Sócrates
  
É realmente um grande desafio fazer mestrado, mas é ainda maior quando você faz o mestrado com a mesma paixão e entrega, que faz qualquer outra coisa...aí o 'deixa rolar' e 'relaxa e goza' nunca acontece...e fica impossível não pensar em 'tudo ou nada'...

Ou você faz bem feito ou não faz...

Ainda tenho tentado a primeira opção....

5 Coisas boas....

1. Aprender coisas novas...
2. Conhecer pessoas interessantes com saberes interessantes...
3. Sentir-se produtiva e capaz...
4. Contribuir para pesquisa em algum aspecto...
5. Compartilhar o conhecimento....

5 Coisas ruins...

1. Lidar com a culpa diariamente...parece que toda hora vc deve estar estudando...
2. Angústia e frustração com prazos e cobranças...
3. Sensação de incapacidade e impotência com o saber....
4. Incapacidade financeira...
5. Sacríficios profissionais...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Entre o passado e o futuro" de Hannah Arendt


Mais uma síntese interessante pra compartilhar!!

Capítulo específico:  A crise na educação (Capítulo 5)

"Os homens normais não sabem que tudo é possível!" David Rosset p. 10

O livro inicia com um texto de Celso Lafer (1972), dizendo que Hannah quer ‘examinar a lacuna entre o passado e o futuro – a crise profunda do mundo contemporâneo – que se traduz no campo intelectual, pelo esfacelamento da tradição, que resultou numa perda de sabedoria’. P. 10

“O fenômeno totalitário revelou que não existem limites às deformações da natureza humana e que a organização burocrática de massas, baseada no terror e na ideologia, criou novas formas de governo e dominação, cuja perversidade nem sequer tem grandeza!” ... “Os padrões morais e as categorias políticas que compunham a continuidade história da tradição ocidental se tornaram inadequados.” . 10

Marx, Kierkegaard e Nietzsche anteciparam este esfacelamento, sendo Hegel o ‘primeiro a se afastar de todos os sistemas de autoridade, pois ao vislumbrar o desdobrar completo da História Mundial numa unidade dialética, minou a autoridade de todas as tradições, sustentando a sua posição apenas no fio da própria continuidade histórica’.

Vivemos numa era contemporânea de ‘dúvida da fé’, ‘perda do senso comum’ e ‘falta de confiança’, típica da ciência contemporânea.

“A formalização crescente esvaziou de sentido a nossa percepção concreta e, ademais, não só converteu, através da mediação da técnica, o nosso meio ambiente em objetos criados pelo homem, como também conseguiu modificar, por meio da ação humana, o desencadeamento dos próprios processos da natureza, como o evidencia a fissão do átomo.” P. 12

“Nietzsche também se opôs ao conceito tradicional do homem como ser racional, insistindo na produtividade da vida e na vontade de poder do homem.” P. 12

“A diversão, que é o que o homem consome nas horas livres, entre o trabalho e o descanso, está ligada ao processo biológico vital”. E por isso ‘a indústria de diversão está confrontada com apetites imensos e os processos vitais da sociedade de massas poderão vir e consumir todos os objetos culturais, deglutindo-os e destruindo-os. A sociedade de massas, que se orientou para uma atitude de consumo, dificilmente modificará esta tendência devoradora.” P. 13

“A natureza é feita por Deus, e só Ele pode compreender os seus processos. A História é feita pelo homem, que pode, consequentemente, entender os processos que desencadeou.” “A História é o sistema das experiências humanas.” P. 14

Neste sentido, a História ‘deixou de ser uma compreensão do passado para ser uma projeção do futuro’, passando a ser um modelo ‘cuja contemplação fornece regras para a ação’. ‘A finalidade da História é a atualização da idéia de liberdade’! p. 15

"Se sou um, é melhor estar em desacordo com o mundo do que estar em desacordo comigo mesmo!" Sócrates p. 17

“As novas técnicas de comunicação, somadas à incorporação das massas nos sistemas políticos, levaram a novas modalidades de manipulação de opinião.” Sendo que, a ‘manipulação de opinião é o reescrever da História não em termos de interpretação, mas de deliberada exclusão dos fatos.” P. 19 e 20 -  Celso Lafer 1972

A crise na educação

“Uma crise nos obriga a voltar às questões mesmas e exige respostas novas ou velhas, mas de qualquer modo julgamentos diretos.” P. 223

“Na América, indiscutivelmente a educação desempenha um papel diferente e incomparavelmente mais importante politicamente do que em outros países.” P. 223

“A educação não pode desempenhar papel nenhum na política, pois na política lidamos com aqueles que já estão educados.” P. 225

“Quem desejar seriamente criar uma nova ordem política mediante a educação, isto é, nem através de força e coação, nem através da persuasão, se verá obrigado à pavorosa conclusão platônica: o banimento de todas as pessoas mais velhas do Estado a ser fundado.” P. 225

“Pertence à própria natureza da condição humana o fato de que cada geração se transforma em um mundo antigo, de tal modo que preparar uma geração para um novo mundo só pode significar o desejo de arrancar das mãos dos recém-chegados sua própria oportunidade face ao novo.” P. 226

“O desaparecimento do senso comum nos dias atuais é o sinal mais seguro da crise atual.” P. 227

“Por que os níveis escolares da escola americana média acham-se tão atrasados em relação aos padrões médios na totalidade dos países da Europa?”p. 227

“O direito à educação é um dos inalienáveis direitos cívicos.” P. 228

“Os mais dotados são também os melhores, o que não é de modo algum uma certeza. Na América, uma divisão quase física dessa espécie entre crianças muito dotadas e pouco dotadas seria considerada intolerável. A meritocracia contradiz, tanto quanto qualquer outra oligarquia, o princípio da igualdade que rege uma democracia igualitária.” “O que torna a crise educacional na América tão particularmente aguda é o temperamento político do país, que espontaneamente peleja para igualar ou apagar tanto quanto possível as diferenças entre jovens e velhos, entre dotados e pouco dotados, entre crianças e adultos e, particularmente, entre alunos e professores. É óbvio que um nivelamento desse tipo só pode ser efetivamente consumado às custas da autoridade do mestre ou às expensas daquele que é mais dotado, dentre os estudantes.” P. 229

“A autoridade de um grupo, mesmo que este seja um grupo de crianças, é sempre consideravelmente mais forte e tirânica do que a mais severa autoridade de um indivíduo isolado.” “Poucas pessoas adultas são capazes de suportar uma situação dessas, mesmo quando ela não é sustentada por meios de compulsão externos; as crianças são pura e simplesmente incapazes de fazê-lo.” “A reação das crianças a essa pressão tende a ser o conformismo ou a deliquência juvenil, e frequentemente é uma mistura de ambos.” P. 230

Hannah diz que a Pedagogia Moderna tornou-se uma ciência de Ensino Geral, a ‘ponto de se emancipar inteiramente da matéria efetiva a ser ensinada’, sendo o professor, um alguém que ‘pode simplesmente ensinar qualquer coisa; sua formação é no ensino, e não no domínio de qualquer assunto particular.’ “Como o professor não precisa conhecer sua própria matéria, não raro acontece encontrar-se apenas um passo à frente de sua classe em conhecimento.” P. 231

A autora diz que a Educação Moderna passou a se preocupar com o aprendizado através do fazer.

“A educação está entre as atividades mais elementares humanas e necessárias da sociedade humana, que jamais permanece tal qual é, porém se renova continuamente através do nascimento, da vida de novos seres humanos.” “Um estado de vir a ser”, onde a “criança, objeto da educação, possui para o educador um duplo aspecto: é nova em um mundo que lhe é estranho e se encontra em processo de formação; é um novo ser humano e é um ser humano em formação.” P. 234 e 235

“A criança requer cuidado e proteção especiais para que nada de destrutivo lhe aconteça de parte do mundo. Porém o mundo necessita de proteção, para que não seja derrubado e destruído pelo assédio do novo que irrompe sobre ele a cada nova geração.” “Por precisar ser protegida do mundo, o lugar tradicional da criança é a família.” P. 235

Hannah cometa que é natural da criança querer dirigir-se à luz, ainda que precise da segurança da escuridão para poder crescer. Entendo aqui que a criança precisa ser privada de todo o ‘saber’, para poder crescer em segurança, e quando adulta, ter acesso, mas com capacidade plena de discernimento. Estaria aí o grande erro, já reconhecido pela humanidade, em relação à educação passada, de ter considerado a criança, um pequeno adulto. Ela não é!

Hannah complementa com o caso de crianças, filhos de celebridades, que acabam se tornando problemáticas, devida a super exposição, inevitável no mundo da fama.

“Normalmente a criança é introduzida ao mundo pela primeira vez através da escola. No entanto, a escola não é de modo algum o mundo e não deve se fingir sê-lo; ela é, em vez disso, a instituição que interpomos entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer com que seja possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo.” “Na medida em que a criança não tem familiaridade com o mundo, deve-se introduzi-la aos poucos a ele.” P. 238

(caso do meu sobrinho que ficou mais sociável depois de freqüentar a escola)

“Qualquer pessoa que se recuse a assumir a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças, e é preciso proibi-la de tomar parte em sua educação.” P. 239

“A qualificação, por mais que seja, não engendra por si só autoridade. A qualificação do professor consiste em conhecer o mundo e ser capas de instruir os outros acerca deste, porém sua autoridade se assenta na responsabilidade que ele assume por este mundo.” Para criança é como se o professor representasse ‘todos os habitantes adultos’, nas fases iniciais de sua vida. P. 239

A grande crise na educação estaria ligado ao fato de que ‘toda e qualquer responsabilidade pelo mundo está sendo rejeitada, seja a responsabilidade de dar ordens, seja a de obedecê-las.” “Os adultos se recusam a assumir responsabilidade pelo mundo ao qual trouxeram as crianças.” P. 240

“Nesse mundo, mesmo nós não estamos muito a salvo em casa; como se movimentar nele, o que saber, quais habilidades dominar, tudo isso também são mistérios para nós.” E então parece que os adultos dizem para as crianças “Vocês devem tentar entender isso do jeito que puderem, em todo caso vocês não tem direito de exigir satisfações. Somos inocentes, lavamos nossas mãos por vocês.”p. 242

“Tal atitude conservadora, em política – aceitando o mundo como ele é, procurando somente preservar o status quo (opção mais fácil) -, não pode senão levar à destruição, visto que o mundo, tanto no todo como em parte, é irrevogavelmente fadado à ruína pelo tempo, a menos que existam seres humanos determinados a intervir, a alterar, a criar aquilo que é novo.” P. 242

“Basicamente, estamos sempre educando para um mundo que ou já está fora dos eixos ou para aí caminha, pois é essa a situação humana básica, em que o mundo é criado por mãos mortais e serve de lar aos mortais durante tempo limitado. O mundo, visto que feito por mortais, se desgasta, e dado que seus habitantes mudam continuamente, corre o risco de torna-se mortal como eles. Para preservar o mundo contra a mortalidade de seus criadores e habitantes, ele de ser, continuamente, posto em ordem.” “Nossa esperança depende sempre do novo que cada geração aporta.” P. 243

“Exatamente em benefício daquilo que é novo e revolucionário em cada criança é que a educação precisa ser conservadora; ela deve preservar essa novidade e introduzi-la como algo novo em um mundo velho, que, por mais revolucionário que possa ser em suas ações, é sempre, do ponto de vista da geração seguinte, obsoleto e rente á destruição.” P. 243

“Envelhecer é o gradativo retirar-se do mundo das aparências”. Goethe

“A atitude romana teria sido que justamente ao envelhecer e ao desaparecer gradativamente da comunidade dos mortais o homem atinge sua forma mais característica de existência, ainda que em relação ao mundo das aparências, esteja em vias de desaparecer; isto porque somente agora ele se pode acercar da existência na qual será uma autoridade para todos.” p. 244

Não que essa atitude seja necessária hoje, pois “a função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver.” “A aprendizagem volta-se inevitavelmente para o passado, não importa o quanto a vida seja transcorrida no presente.” “Não se pode nem educar adultos, nem tratar crianças como se elas fossem maduras.” P. 246

Para Hannah, é impossível determinar com precisão o limite entre a infância e a condição adulta, pois ela muda frequentemente, ‘com respeito à idade, de país pra país, de uma civilização a outra e também de indivíduo para indivíduo. ‘A educação contudo, precisa ter um final previsível’.

“Não se pode educar sem ao mesmo tempo ensinar, uma educação sem aprendizagem é vazia e portanto degenera, com muita facilidade, em retórica moral e emocional. É muito fácil, porém ensinar sem educar, e pode-se aprender durante o dia todo sem por isso ser educado.” P. 247

“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e jovens. A educação, é também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.” P. 247