quarta-feira, 17 de novembro de 2010

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Considerações sobre algumas leituras recentes...

No terceiro encontro de orientação de dissertação, minha orientadora me indicou a leitura destes 4 textos, e compartilho abaixo com vocês, algumas considerações:

Obs.: Todos possuem versão PDF on-line gratuita.

PUBLICAÇÃO PERIÓDICO: Educação e Realidade.

“Um cinema que educa é um cinema que (nos) faz pensar!” – Entrevista com Ismail Xavier

Considerações: Após esclarecimentos diretamente com o autor, entendo que ele fala de um cinema do tipo ensaio-filme, que instiga a pensar, promove a reflexão, sem buscar apenas um caminho ou uma possibilidade, mas o despertar de um novo olhar, de uma nova forma de enxergar. (punctum – obtuso de Barthes). Contrariar o “senso comum” – o óbvio.

Considerando suas colocações na palestra da semana de cinema, não há um limite para um cinema de arte e indústria, pois esta reflexão pode partir da experiência sensível do espectador, mesmo em filmes que seguem padrões mercadológicos. E isto me fez pensar sobre a importância da mediação. Lembrou-me do documentário do Leandro e das possibilidades amplas de leitura, justamente por não buscar uma montagem dialética precisa, por compor aleatoriamente as imagens da tribo indígena vinculada à narração, ampliando ainda mais as possibilidades de leituras, sem a presença de uma mediação. (talvez um filme americanizado não permita sozinho esta abertura, mas uma mediação pode ampliar o olhar).

E quando ele comenta sobre o “sabedor de códigos”, entendo que ser um sabedor de códigos não é suficiente, porém é no mínimo necessário. No próprio texto da Heil, percebo que ela preocupou-se em entender os códigos para criar sua proposta de análise fílmica, porém não significa de fato que compreenda os códigos. Não basta apontar para um filme e dizer “veja, é um plano-detalhe”, mas perguntar-se “porque um plano-detalhe?”. É necessária a relação entre o código e seu uso. O código e seu contexto, autor, proposta. Ainda que seja apenas uma leitura possível, é mais significativa que deter-se a um mero conhecedor. É preciso “compreender”!

Nesse sentido entendo a Mônica quando me dizia que saber os códigos não é o suficiente, mas reforço, como Xavier em seu e-mail, que é o mínimo!

“Cinema e educação: um caminho metodológico” – Eli Henn Fabris

Considerações: Pobre e ingênuo. Quase não consigo aproveitar nada do que ela traz.

Antes de se propor a tal pesquisa, a leitura de “Ensaio sobre análise fílmica” se faz necessária, pois muitas das suas colocações me pareceram ingênuas e sem citação. Vanoye já falava bastante sobre o valor do contexto, da necessidade do domínio dos códigos e da própria história do cinema, mas o artigo me mostrou uma pesquisadora ingênua, que talvez até conheça os códigos, mas não significa que compreenda. Tanto citou que viu e estudou filmes, mas não foi capaz de citar nenhum. Não fez nenhuma síntese de leitura. Pareceu-me preocupada em provar sua base, falando de sua constante busca pelo saber específico do cinema, pela pesquisa, pelo domínio dos códigos, enquanto linguagem, mas não como expressão, reflexão, análise.

Identificar um plano não é analisar. Decupar minuciosamente um filme não é analisar minuciosamente. Seria apenas descrever. Não pareceu haver nenhum tipo de reflexão. Espectadora-colegial, que sabe os nomes, mas ainda não sabe relacionar, compor, entender, questionar, criticar. Para criticar um conceito, ideologia, valor, é necessário conhecê-lo, porém é ainda mais necessária experiência, reflexão, leitura, relação entre os saberes.

Está certo que ela não me trouxe nada de sua síntese, porém é aí que reside a fraqueza do seu texto.

PUBLICAÇÃO PERIÓDICO: CEDES - Unicamp

“Mídia e juventude: experiência do público e do privado na cultura” Rosa Maria Bueno Fischer

Considerações: A autora começa falando da tendência crescente da exposição pública, diante das redes sociais e dos canais de publicação de vídeos, como o youtube. Ela atribui esse movimento à sociedade capitalista e regimes totalitários, que aniquilaram a individualidade humana, reprimindo a espontaneidade e a criação humana, formando uma “massa” coletiva. Aqui lembrei-me de Nietzsche e da Educação Moderna, sobre a formação do homem civil, de boas maneiras, domesticado, condicionado num “rebanho” e controlado pelo governo e por um regime político voltado para a finalidade, produtividade, consumo e utilidade.

Neste sentido, ela comenta dos produtos de cultura de massa, no caso o cinema, fonte de lazer e informação, apresentando o “mundo para o mundo”, ou “o Brasil para o Brasil” como visto na Era Vargas/Roquette-Pinto do cinema educativo. O poder de comunicação do cinema a grandes distâncias é enorme e por isso é também perigoso, pois vende “falsas verdades” se não houver mediação e reflexão.

Rosa ainda fala sobre a necessidade humana de “vencer a lógica da morte”, como fala Bazin, através das expressões audiovisuais. “Aprender a morrer”. Por isso, é necessária a reflexão e problematização de como essa sociedade que necessita se expressar, ser ouvida e vista, está construindo e lendo as significações que estão sendo construídas pelas mídias. Como estamos sendo representados e como estamos consumindo estas representações. Ela dá o exemplo do jovem-Malhação e das relações entre juventude e sexo, drogas, instigando a reflexão de “nós/deles” mesmos, muitas vezes criando padrões de comportamento ou situações inverossímeis com simplificações e abordagens superficiais de assuntos complexos e subjetivos. Ela comenta sobre Foucalt e o paradoxo liberdade/controle. (talvez o próprio professor-pipa do Nietzsche).

Com tudo isto, ela ressalta da importância da reflexão da forma como nossas narrativas de vida estão sendo narradas. Como estamos sendo narrados e representados, até porque muitos valores acabam se incorporando a nossa forma de “ver” o mundo, por inconscientemente assumirmos uma mera representação como verdade “absoluta”. É importante problematizar tudo que nos rodeia, pois é no discurso, na exposição do pensamento, opinião, que mostramos quem somos. (até para nós mesmos! – Ex.: Videoclipe dos alunos na Escola). E além do debate, transformar essa “visão” de mundo, através da criação.

“Decifra-me ou devoro-te” – João “Alegria”

Considerações: Alegria parece dar continuidade às preocupações de Rosa, pois fala do poder que a televisão tem em influenciar comportamentos e formar o senso-comum, tão duramente criticado por Nietzsche já no século 17. Esse senso-comum e desejo coletivo de consumo acaba influenciando inclusive classes mais baixas, que não conseguem pelos meios legais adquirir os objetos de desejo e partem para caminhos alternativos, no caso, ilegais, como contrabando, roubo e tráfico de drogas, encurtando o caminho para a desejada “vitória”. Porém ainda que as mídias, no caso a televisão, tenha este lado negativo, há também o lado extremamente positivo de permitir a comunicação entre os povos, a partir das novas tecnologias e todas suas facilidades de acesso.

Por isso, Alegria incentiva o uso das mídias na escola, reforçando uma mediação, e da participação expressiva da criança na composição dos produtos audiovisuais. Ele questiona se os inúmeros projetos que surgem para capacitação de jovens e crianças de fato valorizam o poder de criação dos jovens. Não é somente capacitá-los para que saibam fazer uso das mídias, mas instigá-los a criar, pois se eles criam, podem contribuir para a produção de mídias e transformação de um padrão já estabelecido. Este jovens podem expressar sentimentos e situações, muitas vezes marginalizadas ou ignoradas pela mídia, ou ainda esteriotipadas constantemente no país, como políticos corruptos, violência urbana, desigualdade social. Alegria incentiva a liberdade da criação. Valorização das narrativas pessoais e coletivas. Explorar produções, envolvendo as crianças e jovens em todo o processo.

Com isto, Alegria problematiza as metodologias que tem sido empregadas atualmente em projetos de uso das mídias.

Aqui pensei em vários projetos que já vi no FAM, por exemplo, em que as crianças tem idéias, até roteirizam, mas são profissionais que gravam e editam. Elas apenas fazem parte de uma etapa do processo. Se antes eu julgava possível, na prática vejo que os alunos ganham muito mais, explorando todas as etapas. O importante não é o resultado, mas o processo e as falhas que se apresentam como grandes oportunidades de aprendizado. A edição por exemplo só se desenvolve de acordo com a necessidade e se aperfeiçoa com a prática, por isso desafiá-los a editar é desafiá-los a aperfeiçoar suas habilidades de criação e capacidade de escolhas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A fotografia e O cinema. A mãe e o filho?

Na última aula assistimos “Mãe e filho” de Alexander Sokúrov (1996) e trago aqui considerações sobre o filme.



“...um texto não é feito de uma linha de palavras a produzir um sentido único, de certa maneira teológico (que seria a "mensagem" do Autor-Deus), mas um espaço de dimensões múltiplas, onde se casam e se contestam escrituras variadas, das quais nenhuma é original: o texto é um tecido de citações, saídas dos mil focos da cultura” (BARTHES, Roland. A morte do autor In. O rumor da língua)

Diante das inúmeras formas de ler “o mundo”, ou “um filme”, neste caso, este filme “Mãe e filho”, pareceu-me inevitável fazer relação com o cinema e a fotografia. Sokúrov nos apresenta um paradoxo, um filme-contraste, um filme de diferenças e semelhanças, de movimentos e silêncios. Um filme de morte e de vida.

Já no primeiro plano vemos uma composição curiosa: uma imagem estática, um casal que conversa, envolvido pela escuridão, onde o contraste claro/escuro típico de uma pintura, é emoldurado pelo formato retangular de qualquer tela de projeção. Se não fosse o diálogo contido e os movimentos sutis, poderíamos estar diante de uma tela de tinta à óleo.

Sobre o que conversavam? Sobre sonhos (ou pesadelos). A mulher, a mãe, já velha e enferma, revela seus temores diante de um sonho/pesadelo que sempre se repete: uma sensação incômoda de prisão. O homem, o filho, ainda que jovem e viril, compartilha do mesmo pesadelo e temor. Se este diálogo pudesse representar todos os elementos que compõem a fotografia ou o cinema (onde o movimento é pura ilusão), eu sentiria o mesmo temor. É quase como ter vida própria num espaço limitado de tempo e lugar. É quase como dar vida às imagens mortas e congeladas no tempo, compondo personagens, histórias e diálogos. É como entrar em sintonia com o diretor e compartilhar das mesmas “pirações” e/ou inventá-las. Imagine se pudéssemos ouvir o que as imagens nos dizem! Falariam dos seus medos? Da sensação estranha de aprisionamento? Do pavor da morte? Saberiam quem são e o que fazem naquele lugar? Tão escuro e distante? Tão limitado e estranho? Nessa leitura seria o possível punctum? Minha forma de ver e imaginar?

Uma mãe enferma, imóvel, dependente de um filho, jovem, ágil e solidário. Uma mãe que resiste ao tempo, cruel e veloz. Por vezes não entende porque ainda existe, tão velha e cansada. Teme e deseja a morte. Sente-se inútil e um fardo para o filho. Para que existir? Mas o filho é solidário e amoroso. Ainda que ela não consiga mais caminhar sozinha, ele a carrega. Ele a leva e a movimenta em seus braços, ainda que ela permaneça imóvel. Sempre imóvel. Reconhece em si mesmo, a importância da mãe, sua origem. Para o cinema existir, a fotografia foi o caminho, o marco, e agora é vestígio. O cinema carrega nos braços, aquela que o originou e mesmo que algum dia a recuse, jamais poderá negar sua origem (como qualquer filho).

O filho por vezes sai de cena, fora de campo, coisa possível somente no cinema. A fotografia estática, a mãe, permanece sempre estática, enferma, imóvel. A paisagem que os envolve é como uma pintura ou uma limitada moldura de projeção, mas o filho e o som se movimentam constantemente. Sempre há som. Possível prova de movimento constante? Ainda que fora de campo ou manipulado na edição, sempre há o som. Som de um trem, de pássaros, de passos, sons da vida, constante, móvel, ágil.

O filho quer alimentar a mãe, como o movimento que ânsia por mover, carregar e salvar o estático. Já crescido, independente, livre, mas eternamente grato. A mãe por vezes se recusa a comer. Está cansada de ser carregada. De ser enferma, de estar viva. Por vezes relembra sua própria origem, na casinha distante, envolvida pela paisagem serena, ao som dos pássaros e grilos. Lembra de quando era viva e quando teve seu filho, o primeiro, de uma gestação difícil, mas tão amado e desejado. Nem todos aprovaram, mas ela o teve mesmo assim. Seria o cinema um temor para alguns? Uma origem difícil e rejeitada por tantos? Uma ilusão de movimento, sem cor e som, mas de certa forma, representação da vida? A mais fiel possível, talvez?

O filho acaricia a mãe, observa, ama. Ele confere se ela apenas dorme, teme sua morte. Sente pavor de perdê-la. Conseguirá ter vida própria? Conseguirá seguir sozinho? Deseja encontrá-la onde quer que esteja. Ele sofre. Necessita interagir, tocar, estar perto. Ele a repousa no jardim e mostra-lhe fotos. Metalinguagem? Uma foto vendo uma foto? Uma imagem vendo uma imagem?

E quando o movimento do filho cessa, o som permanece. A vida os envolve? A moldura da vida os acolhe nas folhagens e estradas. O filho passeia sozinho. Pensa. Reflete. Chora. Distancia-se. Quer fugir? Quer voltar? Saiu pra pensar?

E ainda que ele repouse, sempre há o som. Diegético e extra-diegético? Por vezes ele a carrega, mas sempre repousa. Descansa. Seria a confirmação do cinema como ilusão? Ilusão do movimento? Ao cessar da película, interrupção?

A mãe fala do medo da morte e ele fala que ela pode viver quanto quiser. Escolha sua? Inevitável morte? Ela questiona o porquê, ele explica que se vive por alguma razão: a razão de apreciar a vida. E quando pensamos que ele irá se libertar, ele retorna para seu lar, sua origem. Às vezes caminha, às vezes corre, e ainda que repouse, a vida os envolve.

No passar das nuvens e no balançar das árvores, numa borboleta ou numa mosca, sempre há vida. Sempre há movimento, além do filho. Ele é envolvido pelo movimento. Ele é movimento no movimento, mas também repouso. Assim como a mãe é enferma, e está sempre no limite da vida e da morte, como a fotografia, congelada no tempo, também está viva na memória. Ao ler uma imagem, podemos criar o movimento que quisermos. Podemos projetá-la para fora de campo e imaginar continuidade, composição, histórias. Temos o poder nas mãos de sermos eternos “leitores”!

A mãe morre. O filho sofre. Ele deseja encontrá-la. Algum dia. Será a morte do cinema? Ele pede paciência. Pede que ela o espere. Ele a chama. Ele repousa. E a vida....continua....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"Sim, a MULHER pode!" Dilma Rousseff

Diante dos diversos comentários preconceituosos e difamatórios contra a presidenta eleita Dilma Rousseff e seus supostos eleitores, senti ainda mais orgulho em ter apoiado sua candidatura no 2º turno das eleições.

Espero e torço pelo melhor do país e acredito na força e atitude de uma mulher como presidenta. Espero que ela tenha a doçura e sensibilidade de uma mãe e a firmeza e seriedade de uma mulher.

Confesso-me uma analfabeta política em busca de alfabetização.
Votei na candidata Marina do PV no primeiro turno, por acreditar numa vida mais sustentável e me senti confusa e insegura após sua derrota.

Não sabia quem escolher: Serra (PSDB) ou Dilma (PT)?

As fontes? Mídias...

Recebi inúmeros e-mails difamatórios, irônicos, com teor cômico ou de ridicularização de um momento sério do país e senti vergonha em ver um "palhaço" ser eleito em forma de protesto à política atual, pois me perguntei quantos analfabetos assumem posturas de protesto, sem procurar se alfabetizar ou engajar-se por melhorias.

Quantos candidatos bem intencionados ficaram de fora para dar lugar a um protesto inútil?
Só será útil quando houver verdadeira mobilização e comprometimento por mudanças.

Na busca pelo conhecimento, percebi como fui e sou influenciada pela mídia e sociedade capitalista e como a elite do país, presente principalmente no Sul e Sudeste, posicionaram-se contra o atual governo, ou seja, PT, Lula e Dilma.

Busquei na minha experiência sensível, algum motivo para me posicionar contra este atual governo e não encontrei nenhum.

Exclui da lista a palavra "corrupção", por se tratar de presença constante entre meus vínculos sociais, portanto natural em qualquer partido, candidato ou instituição e pessoa que se proponha à representação. E com isto não digo que "o governo (Lula, PT) rouba, mas faz!" e sim, que o povo brasileiro sofre de um problema sério de desonestidade (jeitinho brasileiro) e não percebe que eleger um candidato é como eleger a si mesmo. O povo elege alguém do povo!

Enquanto não houver consciência de que nos pequenos atos cotidianos também reside a corrupção, a desonestidade, a ilegalidade, não teremos candidatos melhores se propondo a nos representar. Teremos pessoas como nós!

Enquanto houver quem se gabe de não pagar contas, de contribuir para à pirataria, de sonegar impostos, acumular assistências, e resolver tudo da maneira mais "fácil," não veremos mudanças significativas na sociedade acontecer.

Esforçar-se como pessoa honesta seria o primeiro passo.
Alfabetizar-se politicamente, o segundo.

Eliminado este critério, procurei buscar nos últimos 8 anos algum motivo que justificasse um posicionamento contra o atual governo e novamente, não encontrei nenhum.

Concordo que poderia ser melhor, como sempre poderá ser, mas ruim não foi.

Em nenhum momento do meu posicionamento difamei o candidato Serra, afinal não tinha argumentos para tal atitude, e ela seria incoerente com uma postura comprometida por melhorias. Até porque somente o que a mídia nos mostra não é definitivamente uma fonte confiável.

Enviei e-mail para a lista do mestrado, com estes mesmos questionamentos e nem metade da metade dos mais de 200 inscritos responderam. E outros também enviaram suas opiniões e manifestos, mas chocantes mesmo foram as várias reclamações sobre os conteúdos dos e-mails, julgados inadequados para a lista.

Uma lista de comunicação de estudantes de mestrado em educação.
Uma lista para discutir melhorias na Universidade Federal de Santa Catarina.
Discutir a educação e tudo que a envolve.

Então discutir política...inadequado?

Talvez o problema seja esse: falta de discussão.
E discutir não é encontrar respostas, mas fazer perguntas...problematizar.
Refletir sobre...

Dia 31 de outubro.
2º turno das eleições 2010.
7:00 Apresentei-me como mesária, pois fui convocada pela segunda vez nos dois turnos.
(e não sou funcionária pública ou voluntária.)
Confesso que é chato receber esta convocação, mas no dia é até divertido.
Conheci pessoas diferentes, presenciei situações curiosas e acompanhei cada minuto das apurações.

E o mais chocante neste segundo turno foi presenciar comentários preconceituosos como: "lugar de mulher é na cozinha e no tanque"; "de mulher mandona já basta minha esposa!", "eu não voto em sapatona!", "vamos separar sc do nordeste!", "nordeste não sabe votar", "dilma assassina!", entre outras palhaçadas ignorantes.

Quando a região mais pobre do país elege com mais de 80% uma candidata, apoiada por um popular presidente, a mensagem é séria!
É a união de um povo sofrido, lutando para não voltar para a miséria, ou no mínimo apavorado com esta possibilidade.
É reflexo de uma melhoria no país e diminuição da miséria.

E quem acha que "programas assistenciais" do governo siginificam "dar o peixe", nunca pescaram, pois R$200,00 seria no máximo a isca.

"Ensinar a pescar" seria estudar, trabalhar, mas quem conseguiria estudar ou trabalhar com a barriga roncando de fome?? Eu não consigo e nem imagino o que seja realmente essa dor.

E se o sul precisa trabalhar mais para surprir as necessidades de outra região é porque é afortunado. Não mora numa região quente, de solo pobre e população miserável.

E fiquei revoltada com comentários como estes "separar o sul do resto do país!".
Pensar assim é ser muito egoísta e montado em dinheiro, pois trabalhando em pedágios e filantropias sei bem que o pobre mais "fodido" ajuda mais que o rico em carro importado.

Falta solidariedade. Falta humanidade. Falta caráter pra este país.

Esta eleição é uma grande vitória para as mulheres, pois como disse Dilma, "Sim, a MULHER pode!" e uma vitória dos trabalhadores, que se submetem todos os dias a serem explorados e mal remunerados pela burguesia, pela elite capitalista.

Tenho certeza que existem acomodados usufruindo das "tetas" do governo, tanto do lado dos pobres, quando do lado dos ricos, mas tenho certeza também que muitos assistidos pelo governo, procuram melhorar a qualidade de vida, estudando, trabalhando, criando o próprio negócio, viajando pelo país, adquirindo casas, bens, livros, indo ao cinema ou acessando a internet.

E se antes eu já tive preconceito com um presidente considerado analfabeto ou semi-analfabeto, hoje me confesso uma admiradora, pois finalmente alguém verdadeiramente do povo, sofrido, miserável, lutou para estar onde está.

E quem disse que a escola da vida não alfabetiza?
Bill Gates, por exemplo, NUNCA terminou a faculdade, mas recebeu diploma especial de Harvard, pela contribuição que deu à humanidade.
E Lula tambem recebeu da USP, homenagem semelhante.

Podia ser melhor? Sempre, mas política não se faz da noite pro dia e é necessária paciência, tolerância e muita luta para plantar as sementes dos frutos que nossos filhos e netos irão colher.

Enquanto nossa atual presidenta lutou pela liberdade e voto direto, hoje muitos brasileiros ignorantes torcem conscientemente para não ter a obrigação e compromisso de votar!

Nunca vi tanta abstinência (num dia ensolarado de feriadão) e tanta indignação para ter que votar.
Ouvi muitos "que saco ter que votar!" ou seja, a falta de comprometimento consigo mesmo é enorme, pois se engana aquele que permanece na vontade cega de ser um analfabeto político!

sábado, 30 de outubro de 2010

Sobre citações no texto e na fala

Curioso quando lemos um texto e lá está ela: a citação direta ou indireta.
Até parece que todos os autores que lemos, ficam colados na memória de imediato.
Até parece que sabemos sempre pronunciar seus sobrenomes, sabemos as páginas de cor e o ano da publicação.
Até parece que o texto corre realmente solto, se não fosse esse detalhe tão (des)necessário.
Às vezes deixamos fluir, ignoramos as referências, mas ao final de muitas páginas, o trabalho de separar o "deles" do nosso, fica ainda mais difícil. Fui eu que pensei isso ou ele pensou? Eu posso me apropriar disso ou não? Passou de quatro páginas, faço recuo? Melhor citar que articular com as próprias palavras?
Na necessidade da citação e de formalizar nossa escrita, surge outro texto, editado, organizado e enquadrado. Aquele texto livre, leve e solto, tão bem (ou mal) articulado, dá lugar aos sobrenomes conhecidos (ou desconhecidos), anos, páginas, editoras, traduções e afins. Os recuos se fazem necessários e o texto fica desconfigurado. A formatação quase nos denuncia de apropriação. "Ei vejam, neste recuo não fui eu que disse, foi ele!"
Como se a colagem de um "pedaço" de autoria tivesse um peso maior que a construção suada de quem escreve. Como se o "pedaço" não estivesse descolado do seu contexto original e inserido em outro contexto, não ganhasse um novo olhar, uma nova abordagem.

Eu prefiro a citação da fala, pois é espontânea, natural e verdadeira.
Realmente nos esforçamos para lembrar da origem de nossos pensamentos, mas às vezes eles são crianças levadas, que roubam nossa ordem e correm descontrolados na desordem.
Para citar é preciso brincar de pega-pega, correr atrás dos pensamentos levados e organizá-los da melhor maneira possível, colocando cada coisa em seu lugar, em meio às risadinhas, pois não há quem escreva, que não espie a cola dos nomes. Para citar é preciso espiar, pois ninguém guardaria na memória tantos detalhes desnecessários.

O que eu quero da minha vida?

Quero minha vida tal qual como é...
De lágrimas e sorrisos
De erros e acertos
Tardes preguiçosas e dias produtivos
reflexões, pensamentos...
Esvaziar a mente no cinema
E encher tudo de novo
ter leituras pendentes
Como filmes, músicas, experiências...
Viajar na mente e na estrada
Sozinha ou isolada
E viajar acompanhada...
Madrugadas de orgarmos
criativos e psicodélicos...
Rodas de conversa, amigos e cerveja
Boa comida na mesa.
Falar sobre a vida
confundir-se com ela
Como faz a birita.
Ler Nietzsche, Kant e Montaigne
ou sobre vampiros também.
Ouvir Raul, Legião e Paralamas
dançar ao som de um samba.
Sorrir acompanhando o sol
Ou chorar como chora a chuva.
Ser intensa, poeta e prosa
Ser sensível como uma rosa.
Amar como eu amo a vida
Amar meu bay, príncipe encantado
Perfeito imperfeito, melhor amigo
Com ele pensar o futuro
Sem ele sonhar o futuro
Amar amigos e conhecidos
passageiros da estrada-vida
Amar família, vínculo eterno
Pareceria sempre divertida
Diversão na comédia
depois da tragédia
Nas guloseimas e jogatinas
Rir das piadas e mesquinharias
nascer redonda
percorrer quadrada
essa louca viagem
da vida na estrada
Construir na experiência
meu próprio scrapbook
colando nos anos, todo o inédito
E na rotina, rebelar-se
Recusar a ver só de uma forma
ver a graça e o sensível
Em cada rasgo, ferida
Em casa cola, harmonia.

Rascunhado na aula de Teorias da Educação em 27/10/10 - quarta-feira ensolarada.

Nietzsche - um verdadeiro profeta

Diante de 5 textos de Nietzsche, seria um desperdício não tecer comentários ou construir um texto que sintetizasse uma leitura densa, complexa, mas prazerosa.
É uma grande honra finalmente conhecer Nietzsche e também um grande pavor.
Das 6 páginas originais, destaco apenas uma pequena parte, pois a essa altura do mestrado é melhor preservar-se e guardar certos pensamentos para si, pois nunca se sabe o quão selvagem é nossa sociedade.

Trecho do texto:

Em “Assim falava Zaratustra – um livro para todos e para ninguém”, texto difícil e poético, Nietzsche nos fala do Super-Homem e “escreve certo por linhas tortas”, pois parece um Deus ditando uma bíblia e cita Jesus, ídolo e companheiro. Um texto marcado por passagens, aborda assuntos muito bem citados na Bíblia, mas como não a li inteira, associo pelo menos aos 10 mandamentos.

Se Deus for substituído pelo “Eu”, ame-se mais do que a qualquer outro e se ame acima de tudo, pois as "pessoas são prisões" e é necessário libertar-se.

Se invocar o santo nome for valorizar-se ou julgar-se acabado, esqueça, pois a transformação é um processo longo e doloroso, eternamente inacabado e a busca é necessária.

Se guardar os domingos e festas, for preservar-se dos prazeres, e manter-se casto nesta mesma busca pelo espírito-livre, é necessário libertar-se das fraquezas e desejos humanos.

Se honrar pai e mãe for honrar os clássicos, os pioneiros, os criadores, os verdadeiros responsáveis por buscarem as essências humanas, todas já esgotadas, segundo Nietsche, quando o homem ainda era primitivo, é necessário honrá-los todos os dias, respeitando suas vontades e verdades.

Se não matar for evitar causar dano ao corpo e alma, de si e do próximo, é necessário, novamente, preservar-se, amar o corpo e entender que “há mais razão no corpo que em tua melhor sabedoria”.

Se guardar castidade nas palavras e nas obras, nos pensamentos e desejos for justamente comportar-se de forma consciente, voluntário da abstinência de prazeres e talvez, da prática de atos sexuais, é necessário grande esforço e equilíbrio para tal, pois a “cadela sensualidade permanece à espreita e trai o desejo em tudo que fazem. Até nos cimos de sua virtude e nas zonas frígidas do espírito, a besta monstruosa os persegue e os inquieta. A castidade é uma virtude, mas em muitos é quase um vício.”

Se não furtar é não reter injustamente ou danificar os bens do próximo, é necessário compreender que são poucos os que alcançam a capacidade de criar, sem precisar apropriar-se do outro.

E se levantar falso testemunho for discursar sobre verdades absolutas, é necessário compreender que “tudo veio a ser; não existem fatos eternos: assim como não existem verdades absolutas.”

E por último, se cobiçar as coisas alheias for desejar ser outra coisa e não a si mesmo, é necessário entender que as transformações exigem tempo, paciência e espera, e o verdadeiro super-homem planta, para que outras gerações possam colher. (...)