quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ansiedade e medo

Prometi que escreveria este post. Prometi a mim.
Talvez já tenha caducado, mas vale a pena recordar.
Do que se trata?
Trata-se da divulgação do blog para os colegas e professores do mestrado.
Na semana passada, claro.
Primeiro...medo.
Aquele medo onde reside a coragem, porque coragem não existe sem medo.
Coragem é enfrentar o medo.
Neste caso, medo da rejeição, do pensamento contrário, do retorno das minhas ideias tolas (ou não tão tolas), dos fantasmas da escrita.
Criei o blog para mim, para praticar minha escrita, mas mentiria se também não tivesse criado para uma possível divulgação.
Criei na ânsia de dar vida aos meus pensamentos, através das palavras, já que nem sempre tenho ouvidos disponíveis. Pensamentos sobre tudo. Dedos frenéticos teclando na minha mente.
Escrever no blog é como falar em voz alta.
É como ter ouvidos sempre disponíveis. Mesmo que esses ouvidos não falem. Não retornem.
É como ordenar os pensamentos desordenados e refletir sobre.
É libertador e exercita a escrita. Ajuda na articulação.
Enfim, é ótimo e foi a melhor saída que poderia ter pensado para minha ânsia de falar/escrever.
Se em 2006, quando criei meu primeiro blog sobre cinema, esperava ansiosa por retorno, hoje eles nem me importam mais. É o que menos importa! (não que não importe)
Enxerguei novo sentido para a frase "Não deixe nada para depois, não deixe o tempo passar", (Pitty) citação musical que coloquei no fim do blog de cinema.
Eu realmente não deixei.
Não deixei que os menosprezos da graduação aos meus textos me intimidassem, ou que o fato de não haver coments, também.
Não esperei, não lamentei, segui adiante.
No lugar da ansiedade e do medo: segurança, liberdade, determinação.
Não há uma meta. Só um caminho. O caminho da escrita.
Então, após duas semanas deste blog, no qual escrevo, resolvi divulgar. Abertamente.
Para os professores, para sala, colegas, amigos, para estranhos curiosos (que ouvem conversinhas de corredor e se interessam pelo blog). Para quem interessado estiver.
E tive retornos. Bons. Deixaram-me contente.
Alguém viaja na maionese como eu! EeeeeEeeee
Mas quando vierem os retornos ruins, não desanimarei, tentarei estar preparada.
Errar é a melhor oportunidade de aprendizado. Então, que venham os erros também!
A sede continua. A inspiração também.
Que venham todos, dividir suas loucurinhas comigo! =)
Estarei sempre disponível!

Proibido para menores

por Alessandra Collaço da Silva


Quando vejo classificação/recomendação por faixa etária em algum filme, sempre me pergunto o que levou tal comissão, equipe e/ou responsável a determinar o que no conteúdo é impróprio para determinada faixa etária. Porque filmes como “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles (2003), recomendado para maiores de 16 anos e “Tropa de elite” de José Padilha (2008), recomendado para maiores de 18 anos, tão assistidos pelos meus alunos de 12 e 13 anos, não são adequados, mas mesmo assim, ícones e referências, em suas produções audiovisuais. (eles adoram dizer: “perdeu playboy!”)


Em certa ocasião na escola, em uma semana de planejamento (comum nas férias escolares) deparei-me com um texto de Gardner que caracterizava o início do pensamento abstrato, por volta dos 12 anos. Ou seja, início de um pensamento que não se dá apenas na superfície, mas que começa a entender a subjetividade de conteúdos apresentados, talvez até entenda melhor sobre ironia, humor negro, sarcasmo, e que a violência dos filmes não está ali por si só (ou está?), mas para representar a construção de sujeito, de sociedade, de valores distorcidos, mas nem por isso valores que devam ser usados como referência.


Ao unir minha reflexão sobre recomendação para determinada faixa etária, com o pensamento abstrato que se inicia a partir dos 12 anos, segundo Gardner e o fato de que cada “leitor” do mundo coloca na sua leitura, o próprio repertório (escritura que destrói a origem), diria o mestre Barthes, deparei-me com um problema real: qual é o problema real? Classificar o filme não impede que este aluno, ainda sem a tal formação crítica, com seus 12 e 13 anos, tenha acesso ao conteúdo, tido como impróprio. E diante de uma era digital, jovens equipados das mais variadas mídias, principalmente as móveis, como celular e internet, têm acesso ao que bem entendem, se não no cinema ou na vídeolocadora, acessam pelo youtube ou na casa dos amigos. Essa constatação (se pode ser considerada constatação) me leva a crer que classificar o filme não tem uma utilidade muito clara, a não ser para os pais e educadores, que “maduros” e “sábios” sabem que tal filme não é adequado. Mas isso não significa muito para os jovens, pois se para mim, jovem recém formada, com pouca experiência docente, não era claro o que determinava a faixa etária, imagina para eles, imaturos pela própria imaturidade da idade.


E o pensamento abstrato? Tudo bem que eles talvez ainda não o possuam (como ter certeza de algo a essa altura?), mas não significa que não sejam capazes de reproduzir a leitura, ainda que superficial, que fazem dos filmes, vídeos, experimentos audiovisuais e afins. Então talvez o problema não deva “morar” no conteúdo impróprio, afinal alguma leitura eles irão fazer, pois sempre a fazem, mas sim na representação, na projeção, na reflexão (se é que ela acontece). Talvez o problema esteja no como. Como eles lêem?


Nesse caso, como professora de cinema, (aquela que ensina as técnicas de realização de um audiovisual, desde a ideia até a edição), sinto que devo deixar vir o repertório. Deixar vir as construções violentas, as distorções de valores, as tramas superficiais e personagens incoerentes. Deixar vir para então, talvez agir. Questionar e provocar esse aluno sobre sua proposta e sua construção em vídeo. Confrontá-lo, esperando argumentos (se é que isso é possível). Testar seu repertório. Porque é inútil querer controlar o conteúdo ou forçá-los a fazer filmes com mensagens positivas, moral da história e reflexões de adultos. (tipo: salve o planeta, proteja os animais, recicle) Isso é fingir que se ensina algo, pois a construção não veio de dentro. Se o que eles querem é construir a violência, é ali a melhor oportunidade de mediar o conhecimento, o pensamento. A reflexão tem que vir de dentro, ela não vem no livro, ou num exercício tolo, ou muito menos é plantada. Ela deve ser semeada e ganhar vida própria, como qualquer idéia que germina e contamina o pensamento ferozmente. A ideia deve partir deles e esse é provavelmente o maior desafio para o professor. E o maior problema ao lidar com mídia hoje. Como? Como fazer? Como usar essa leitura, muitas vezes distorcida, e promover a reflexão? Como instigá-los, provocá-los, semeá-los? Deixando vir?


Não defendo aqui a liberdade, mas a valorizo, pois todo leitor é livre dentro de sua prisão de repertórios. Prisão pela idade, pela oferta, pela procura, pelo conteúdo limitado e ilimitado, pela imaturidade, pensamento concreto, abstrato, pelo que nos define e não define. Prisão pelo conhecimento, que não é espontâneo (nos procura ou é procurado). Liberdade pela escolha, onde residem ideias, interpretações, distorções, expressões.


Os caminhos são muitos. Por isso, cabe ao professor, ao mediador, ao educador, deixar vir, para então, talvez, agir.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Próximos posts

Os dedos coçam para escrever, mas o tempo é fundamental para a escrita, portanto para não esquecer de coisas que quero escrever, coloco aqui assuntos que tratarei em breve:

Prontos na cabeça:

-Encontrinhos de corredor (sobre encontros de corredor - haha) OK
-O ensinar para Tomás e Agostinho (sobre textos já lidos, para próxima aula de Teorias da Educação) OK
-Fazer ciência e/ou intervenção política? (sobre última aula de Sem. Dis. ECO) OK*
-Referências no texto (sobre citações no texto e na fala) OK
-Ansiedade e medo (sobre expectativas e retornos dos colegas, amigos e afins sobre o blog) OK

Propostas futuras:

-O exercício de Gilka (falar da experiência prática do exercício que Gilka propõe em texto lido na aula de ECO, sobre escrita contínua/rascunho - que ainda não fiz - em três perguntas)
-Mitologias (livro - que ainda não li - para aula do Barthes) OK

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O médico e o monstro - bom x mau?

Aproveito minha reflexão sobre o filme "O Médico e o Monstro" de Rouben Mamoulian (1931), feita para o meu blog de cinema (www.allycenourinha.blogspot.com) e adapto quase na íntegra aqui neste blog, pois foi inevitável nesta escrita, não fazer relação com os textos que estamos vendo na aula de Teorias da Educação sobre Platão e seus conceitos sobre justiça, amor, medida e afins.


"O Médico e o Monstro" de Rouben Mamoulian (1931), é uma entre várias versões adaptadas para o cinema, do livro (título original em inglês: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) de Robert Louis Stevenson , publicado em 1886.

Cito uma passagem que extraí de um site, sobre o livro, para fazer o gancho com o filme:

"A história de Stevenson baseou-se na vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia ele era um respeitado marceneiro; à noite, roubava as casas dos moradores da cidade.
A história se passa em Londres, no final do século XIX, centro urbano com quatro milhões de habitantes. Devido ao grande contraste econômico entre os industriais (cada vez mais ricos) e os miseráveis (cada vez com menos oportunidades de emprego e vida digna), Londres passou a ser palco de inúmeros crimes horríveis. Justamente por isso, em 1829, foi criada a Scotland Yard, que se tornaria mais tarde reconhecida por sua eficiência em resolver crimes e por tomar parte das inúmeras páginas das histórias policiais inglesas."
(Disponível em: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_medico_e_o_monstro

O filme de Rouben Mamoulian, é protagonizado pelo ator Fredric Marcha, que vive o personagem com dupla personalidade, Dr. Henry L. Jekyll - o médico e Mr. Hyde - o monstro.
Diante do progresso de Londres, o médico, noivo de uma bela dama, dialoga com seu amigo advogado, Dr Lanyon, sobre a possibilidade do homem possuir duas personalidades, uma boa e uma má. Por ser agente da ciência, Dr. Jekyll acredita ser possível extrair do homem, tudo que existe de ruim e assim, permanecer só o que é bom, como se um não dependesse do outro. Ele acredita na possibilidade, defendendo-se como um curioso, como o curioso e insatisfeito cientista que criou a lâmpada e colaborou para o progresso (que ele cita no filme), evitando deixar Londres às escuras ou dependente de mecanismos primitivos e limitados. Dr. Jekyll acredita nos sacríficios a favor da ciência, do progresso. (retrata esse pensamento ao deixar uma carta para a noiva, caso sua experiência científica dê errado).
Em vários percursos do filme, Dr. Jekyll confronta o amigo, promovendo a reflexão de que nele (e em nós espectadores) existem dois lados, do racional e irracional, daquilo que reside na consciência e inconsciência, do feio e de belo. Atitudes que controlamos e instintos incontroláveis. Mal natural que habita o feio, pois para Platão, por exemplo, o bom habita o belo (ou o belo no bom). E o amor deseja o belo. Não um belo, padrão de beleza, limitado e rotulado, mas o belo como conhecimento, verdade, sabedoria, justiça, medida, filosofia.
Dr. Jekyll então, ao permitir o conflito entre sua própria natureza, entre o que considera certo e errado, bom e mau, quando é seduzido por uma meretriz ao defendê-la de um cafetão, (sendo um bom homem) deixa fluir o desconhecido, o instinto, a paixão carnal, atração que inunda o racional, e acaba sendo confrontado pelo amigo advogado: "O que você está fazendo? Você é noivo!" Dr. Jekyll aproveita a deixa para reforçar seu discurso de que algo de tentador reside em sua natureza e provoca o amigo, afirmando que na natureza de todo homem é assim, portanto para combater o mau, basta isolá-lo.
Com isto, em suas experiências de laborátorio, Dr. Jekyll, cria uma "poção mágica" e faz de si uma cobaia, tomando a poção e sofrendo uma transformação física. No lugar do belo e bom doutor, surge um monstro (ainda que pictórico no filme, por ser antigo) mau e feio. Monstro que se considera livre, como livre nos sentimos ao saciar um desejo, ao seguir um impulso, ao perder o controle e seguir instintos. Lugar onde reside o prazer, a paixão, o irracional. Monstro dentro de todos nós, que precisamos controlar diariamente, para não nos desordenarmos diante das regras impostas pela sociedade. Não exatamente regras como "o certo," mas aquilo que permite a convivência civilizada (se é que ela é possível). Aproveito e cito Carl Jung, quando diz que o conflito entre duas naturezas fundamentais é necessário para o equilíbrio. (fazendo referência à consciência e inconsciência humana) É necessário conhecer-se por inteiro e saber lidar com os próprios conflitos, que sempre irão existir e fazem parte do crescimento pessoal como ser humano.
Dr. Jekyll então torna-se o monstro inconseqüente Mr. Hyde. E na experiência de liberdade, fica cada vez mais difícil para o médico, não tornar-se Hyde, pois o prazer aflora os instintos, e a curiosidade habita o homem.
Ao se deliciar com o mau, com o prazer carnal, como o homem e mulher que se rendem ao prazer do sexo e "traem" o compromisso formal assumido com seus companheiros e companheiras, o mesmo faz Dr. Jekyll com a noiva, ao deitar-se com a meretriz que antes o seduziu, enquanto era bom e belo. A meretriz que antes via somente o bom e belo no médico, passa a enxergar apenas o mau e feio no monstro, sem entender que os dois são a mesma pessoa.
É o que acontece conosco por exemplo, quando conhecemos alguém bonito fisicamente, mas este "alguém" ao revelar-se mau caráter, de péssima índole, nos faz enxergar uma feiúra antes inexistente (talvez uma feiúra na alma).
Ou ao contrário, como se vê no "conto de fadas", adaptado no filme "A bela e a fera" (1991) dos estúdios Walt Disney, em que o príncipe, tão belo, ao destratar uma pobre senhora, sofre a maldição da feiúra e somente quando Bela vê na fera, beleza, o encanto se quebra e ele torna-se belo novamente, voltando a forma física de príncipe.
Estes exemplos reforçam a ideia de que onde reside o bom, reside o belo.
Para vivermos em harmonia, precisamos respeitar uns aos outros e as duas naturezas fundamentais que existem em nós, sem desmerecer nenhuma, pois o conflito é necessário para o amadurecimento e crescimento pessoal. Nem belo e feio, nem mau e bom, mas unidade, complemento, equilíbrio.
Finalizando, encerro com mais um trecho do site que citei acima:
"Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos. Quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar. O problema torna-se grave quando quem alcança a liberdade é o lado negativo, gerando as fatalidades que estamos acostumados a presenciar nos noticiários."
Ou seja, nem Dr. Jekyll ou Mr. Hyde, mas os dois!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mestrar ou mestrear?

Curiosa, procurei no google a palavra "mestrar".
E curiosamente, encontrei muita coisa.
Por exemplo:

"Na sua busca por "mestrar" não houve sucesso, não existe nenhum verbo assim na língua portuguesa. Outros resultados, que possam ser interessantes: Faça parte e dê um significado pessoal para sua busca." (Em: http://www.achando.info/verbos/conjugar/mestrar.html)

Ok. Esperava por isso, mas em seguida, encontrei outra coisa, ainda mais curiosa.

"Primeiro de tudo, temos que entender que “mestrar” não existe. Isso mesmo. Esse verbo simplesmente não consta em nosso dicionário da língua portuguesa. É um neologismo criado pelos próprios jogadores para identificar um papel, no caso, o de mestre do jogo. Se quiserem conhecer o termo gramaticalmente correto, creio que devam procurar pela palavra “mestrear”. Particularmente, pretendo utilizar certa liberdade literária para continuar usando o termo “mestrar” (sem aspas) e evitar confundir aqueles interessados em começar a exercer este divertido papel." (O Dom de “Mestrar” – Parte I - link: http://rpgdocavaleiros.wordpress.com/2010/05/05/o-dom-de-mestrar-parte-i/)

"mestrear" significaria, segundo o dicionário online português: (mestre+ear) vint 1 Fazer de mestre; falar como mestre: Mestreava com autoridade. vtd 2 Doutrinar, educar, ensinar: Mestreia adolescentes. (Em: http://www.dicio.com.br/mestrear/)

N
o site "achando", o verbo mestrear, em gerúndio se diz mestreando e em particípio pretérito se escreve mestreado." (Em:
http://www.achando.info/verbos/conjugar/mestrear.html?PHPSESSID=k0vf9j2i1smlqu2emr1rrmrbs1)

E por fim, encontro mais isto "
Galera, após muito refletir, decidi trazer essa discussão à tona. Todo o universo brasileiro de rpgistas faz uso da expressão "mestrar", como se esta fosse de fato a forma correta de designar as ações do mestre. Pois bem, nunca achei que fosse importante corrigir isso. Entretanto, com o passar do tempo, mudei minha opinião. Acho que, pelo menos, aqueles que escrevem matérias devem defender o uso adequado dos termos. Então, o verbo correto é "mestrear". Sei que soa estranho, mas é só no começo, depois todos se acostumam. Os neologismos são fundamentais na construção da lingua. Se não existisse o termo, seria preciso criar. Mas já que existe, não seria melhor resgatar? Afinal, acho que, nesse caso especificamente, se trata de um equívoco e não de um neologismo." (Necro-anjo em: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/newbb/viewtopic.php?viewmode=compact&order=ASC&topic_id=735&forum=57)

Discordando, seus colegas/amigos/seiláoque falam logo abaixo: "Bem, a língua brasileira sempre se adapta de acordo com as influências culturais estrangeiras, sistema de alfabetização, nível social, renda, etc. Pode ser mesmo que a expressão seja um equívoco, mas, acabou se fixando no linguajar RPGístico. Pode ser que num outro contexto, num texto mais culto por exemplo, a palavra seja adequada, mas, acho que no nosso meio, dificilmente ela vai mudar...seria como uma gíria geek. Mas, tomando o tópico como base, ao invés de "mestrar" eu prefiria ouvir "maestrar" fazendo uma brincadeira com as expressões, melhor do que simplesmente narrar, seria contar uma história de gorma primorosa e memorável, resgatando a magnífica cultura de contar histórias e fazer de conta. Abraços." (ARCHMAGEILUSIONIST) e "Algo que todo pretenso filólogo tem logo que aprender é (para sua mais sincera decepção, assumo) uma vez estabelecida uma "mania de linguagem", dificilmente ela é revertida. Tanto que, para a maioria das pessoas, o mais natural é pensar mesmo no verbo "mestrar" para conjugá-lo: mestro, mestras e mestra (mestreio-mestreias-mestreia? Não creio!). Não à toa estamos (todos) fadados às línguas mortas..." (MELGALIAN)

Finalizando esse devaneio/copiaecoladogoogle: "Na verdade, mestrear é um verbo irregular defectivo (semi-inexistente) e não remete ao sentido de "narrar". Boa sorte em achar e mostrar uma gramática que contenha esse verbo. E "mestrar" só uma corruptela de "Mestre da Masmorra", do termo original Dungeon Master. Se for pelo sentido correto, Mestrar e Narrar seriam os mais próximos do sentido original. Olha, e sobre o comentário de "cultura morta", não acho que você realmente conheça a extensão de grupos e jogos que existem não só pelo Brasil, mas pelo mundo todo. Ou acha que livros de rpg seriam comercialmente viáveis se não houvessem pessoas pra compra-los e usa-los?" (LUMINE)

Fico com "mestrar" porque flui melhor. Existe na minhaescrileitura! =)

Apontador de lápis

Mais de cinco vezes. Apontei o lápis mais de cinco vezes. (prefiro lápis sempre)
Os dedos escreviam compulsivamente no caderno, sobre as impressões da aula de Teorias da Educação. Escreviam sobre o texto "Os sentidos da paixão", escreviam sobre o escrever.
Porque escrever na leitura (Barthes) não é somente escrever no ler, mas também no ler de ouvir. Ouvir-ler e escrever. Teclar. Reorganizar. Repensar. Refletir.
Se antes o texto estava solto na leitura, na aula movimentou-se, amarrou-se e soltou-se.
Falar das várias faces do amor. Que desafio! Amor que é múltiplo, descontínuo, que se relaciona com a palavra e que se relaciona com a arte de ensinar: a docência. (é mesmo uma arte?)
Mais uma vez, em mais aula, a proposta é ousada. Usar o texto como ponto de partida, como provocação, não repetição. Não sintetizar, mas pungir. Deixar vir. E as impressões vem ferozes.
Os dedos teclam continuamente nos pensamentos, ansiosos, a escritura nem dá conta.
Juliana, a responsável pelo texto, fala de Platão, Sócrates, citados por Peçanha, Platão (ou Socrátes, já não sei) provoca a riqueza da não-linearidade. (deslinearidade? inelinearidade? inlinearidade?)
Da reflexão que afasta o leitor, afasta o autor e renova energias. Retoma.
Sandra (a desbocada de ontem) é lembrada. Mesmo em sua ousadia, há preocupação com o leitor. Há? Mesmo num não-texto?
Coloca-se: aquele que recusa, foi aquele que antes aceitou. Aquele que recusa o lugar é porque deixou de lá residir. A morada é outra. Está lá para provocar. Para não-estar. Para provocar o não-estar.
Como transportar para a prática pedagógica? Como vincular? Como?
Vamos aos recortes de Platão.
Horizontal substituído pelo vertical. Método que importa mais que os conteúdos doutrinários. Processo que importa mais que resultado?
Platão insere em seus diálogos, assuntos "descozidos", diz Peçanha. Assuntos para cozinharmos.
Não procurar as respostas, encantar-se com o debate. Procurar o que constituiu os debates. Não considerar uma origem única. Há vida anterior, mas partir de algo. Qualquer algo. Ou algo possível. Um estudo que não defina a educação, que não feche, mas abra.
Provocar o exercício da fala, diz Lúcia, a professora. Porque o docente não é o que fala, mas o que provoca a fala. (os dedos escreveram: Estarei eu fazendo isso? Eu, que tanto falo?)
Que poder é esse, libertador que tira do outro a fala? Poder dado ao docente, por formar-se? Preparar-se? Estamos mesmo preparados?
Talvez o agir deva ser depois do vir. Deixar vir. Que o outro fale. Que o discente fale. Então agir. Mediar como media o amor. Mediar entre homens e deuses. Aproximar. Complementar como se complementam os casais apaixonados. Quando juntos, unidade.
Não aquele amor selvagem, irracional, onde habita a paixão. Que não é unidade, pois come um ao outro. Destrói. Machuca. Corrói. Amor-paixão ardente. Sede incontrolável. Vício. Prazer!
Mas amor filosófico. Das ideias plenas. Amor que inunda o ensino que não é mercado. Que não prova. Que não escolhe. Que reside em qualquer lugar. Amor que conhece. É conhecimento. Porque tem sede, porque busca. Amor-professor.
Um amor que provoque em nós mesmos, reflexão.
Que o conhecimento encante, como encantada estava a plateia de Socrátes.
Conhecimento na provocação, nos argumentos dispostos num tabuleiro, sem esperar xeque-mate. Jogar eternamente. Assistir eternamente. Conhecimento inalcansável.
Movimentar reflexões. Abrir. Re-abrir. Não fechar!
Não fazer o que a multidão quer, nem que a multidão seja de radicais. Seguir a intuição?
Aqui recorto o texto, palavras, reflexões. Recorte corajoso. Perigoso. Gostoso.
Não pretendi sintetizar, simplificar, argumentar. Joguei comigo mesma, com o outro, com todos.
Joguei com as palavras, com os sentidos. Fiz das impressões, poesia. Apontei o lápis. Apontei os dedos. Apontei a escrita. Que se desgasta, se renova. Recomeça.

Detalhezinho

Curioso encontrar nos meus posts anteriores a palavra "Segurança".
Ainda sinto-me segura? Devo me sentir? Melhor não me sentir?
Será que é na insegurança que reside a inspiração?
Após exatos 16 dias de experiência "mestrandas", a sede aumenta cada dia mais. Sede do saber. Sede de escrever. Sede de ter sede.
Em cada fala, crescimento. Em cada escuta, agitação. Trocas e mais trocas.
Estou eu pronta pro mestrado ou o mestrado me aprontou? Em tão pouco tempo?
As partículas do meu corpo vibram como no corpo de um cachorro ansioso pelo dono que não vê o dia inteiro, com seu rebolado traseiro, contendo uma explosão.
Lambidinhas de alegria contidas, esperando o assovio.
Eis aqui, o prazer de dividir o saber. O meu saber. Se é que é um saber.
Contagiada pela experiência-escrileitura-Sandra de hoje, sinto-me libertada de alguma coisa sem nome. Algo que estava contido, como as lambidinhas discretas e tímidas, explodo em alegria, derrubando meu dono, deliciando-me na escrita e na leitura. Leitura da vida, do dia, mais um dia.
Quando tempo permanecerei impregnada, contagiada, contaminada?
Espero que por um bom tempo. Infinito tempo. Descobri-me. Libertei-me (espero eu).